O que é ser indígena no Brasil hoje?

Muitas pessoas imaginam que índio no Brasil seja algo que se perdeu na história. Antes dos portugueses chegaram em nosso país, os indígenas somavam entre 2 e 4 milhões de pessoas, distribuídos em mais de mil povos diferentes. Por conta dos conflitos, das doenças às quais não estavam acostumados e do trabalho como escravos, milhares os indígenas morreram.

Muitos ainda acreditam que a história destes povos acaba por aí, e que eles só existem isolados no meio da floresta na Amazônia. Tanto é que, em décadas passadas, muitas pessoas se referiam aos indígenas como silvícolas (quem nasce ou vive nas selvas). Porém, os dados do IBGE mostra o contrário: atualmente, temos no país mais de 890.000 indígenas, e mais de 300 mil delas vivem em áreas urbanas.

Foto: Instituto Socioambiental

Longe de serem apenas alguns pequenos grupos isolados, os indígenas compõem milhares de aldeias derivadas de 255 povos, distribuídos em centenas de indígenas, do norte a sul do território nacional. E o mais impressionante é que esses povos falam cerca de 150 línguas diferentes!

De uma forma geral, os indígenas sofrem com o desconhecimento de quem ainda acredita nessa visão romântica de que eles ainda vivem no meio do mato, sem usar roupas, sem acesso à tecnologia, usando cocares. Pode até ser verdade para algumas tribos em áreas muito remotas, mas em geral, o índio do século 21 é diferente deste estereótipo. Para mostrar quem são os indígenas de hoje, assista o vídeo “Menos Preconceito, Mais Índio”, produzido pelo ISA (Instituto Socioambiental), que mostra uma filmagem incrível do povo Baniwa, da Amazônia, falando sobre os indígenas da atualidade.

Integrante da Aldeia Uruity – Guarani Mbyá (Foto: Edison Bueno FUNAI)

Estima-se que a população de Guaranis, etnia indígena mais presente na região da tríplice frontier, seja de 225 mil pessoas, a maioria nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, especialmente no litoral. No estado do Paraná, há indígenas das etnias Guarani, Kaingangue e Xetá. Essa proximidade com o oceano Atlântico criou uma relação muito antiga e bonita entre os Guaranis e esse bioma, eles considerama Mata Atlântica um local privilegiado espiritualmente, um espaço sagrado de convivência, chamados de Ivy marãey, ou “terra sem mal”, principalmente para os indígenas do grupo Mbya.

O Parque das Aves tem uma relação muito próxima com a cultura indígena.  Há 2 anos, os visitantes têm a oportunidade de conhecer os Guaranis em um de nossos programas especiais: o Forest Experience. O programa é realizado com os indígenas do grupo Mbya-Guarani, que são habitantes da aldeia Jacy Porã, localizada na Argentina. O objetivo é proporcionar respeito e visibilidade para a cultura Guarani, especialmente no contexto de Foz do Iguaçu, uma cidade que possui muitas ruas, empresas e aspectos culturais com influência dessa cultura.

Forest Experience que acontece no Parque das Aves

Além disso, cada membro da aldeia, que participa do Forest, recebe um pagamento e os lucros do ingresso são destinados ao Fundo Guarani, que é uma espécie de “depósito” da aldeia. Esse dinheiro é destinado para a construção de fontes de água limpa, como um poço artesiano, na criação de abrigos para as reuniões da comunidade, ou até mesmo na compra de um carro. Os Guaranis possuem toda a autonomia para decidir como este dinheiro será utilizado, pois o Parque das Aves não visa lucro com o Forest Experience. Há também produtos feitos pelos guaranis vendidos no passeio, e a renda desses itens beneficia a comunidade.

Clique aqui para saber mais sobre o Forest Experience.

Fonte: Instituto Socioambiental, Conselho Indigenista Missionário, Parque das Aves e FUNAI (Fundação Nacional do Índio) .