Ideias para substituir as sacolas plásticas no dia a dia

Você utiliza sacolas plásticas no mercado? O que você faz com as sacolas quando chegam na sua casa? Será que só existe um tipo de sacolas plásticas?

Como são práticas duráveis e econômicas, as sacolas plásticas substituíram os sacos de papel no Brasil, desde 1987.  Elas estão em quase tudo o que fazemos, desde as frutas que pegamos na seção de hortifrúti em supermercados, até a compra de uma caixa de remédio que poderíamos tranquilamente levar no bolso. Porém, essas sacolinhas onipresentes causam um grande impacto ambiental. Por isso, o dia 3 de julho é o Dia Internacional sem Sacolas Plásticas. Este não é um dia festivo, e sim um momento especial para refletirmos sobre o uso excessivo destas sacolinhas.

Além de serem produzidas geralmente com uma matéria-prima não renovável e muito poluente (petróleo), mais de 90% das sacolas plásticas produzidas não são encaminhadas para reciclagem. Dessa forma, elas  acabam no meio ambiente, contaminando solo e água com toxinas, estragando a paisagem e matando milhares de baleias, golfinhos, aves e outros animais asfixiados todos os dias. O descarte inadequado afeta em especial as tartarugas, que confundem as sacolas plásticas com seu alimento, as águas-vivas.

Milhares de tartarugas confundem sacolas plásticas com seu alimento, águas-vivas, e acabam sufocadas pelo plástico. Fotos: Global Garbage. Foto: Global Garbage

O plástico no mar contribui para que 700 espécies marinhas se tornem ameaçadas de extinção, tanto porque os animais ingerem os resíduos confundindo com alimento, quanto porque ficam presos no material, morrendo lentamente de fome e sufocação. E não são apenas animais marinhos, sacolas plásticas já foram consumidas até mesmo por camelos no Oriente Médio! 

Apesar do impacto dos plásticos no oceano ser mais conhecido, os animais terrestres sofrem com a contaminação plástica. Foto: One Green Planet.

Além disso, ao serem consumidos por animais marinhos, esses plásticos entram na cadeia alimentar, e já existem diversos estudos mostrando a presença de micro plásticos em fezes de humanos. Ou seja, estamos nos contaminando com o nosso próprio plástico, material que é conhecido por liberar toxinas que podem causar diversas alterações hormonais e fisiológicas, e estão relacionadas com o desenvolvimento de tumores.

Campanha sobre a presença de plástico nos alimentos que consumimos. Foto: Pinterest

Mas afinal de contas, como estamos trabalhando para minimizar essa difícil situação? Em 2002, uma baleia na costa da Normandia morreu com cerca de 800 kg de sacos plásticos no estômago. Por conta desse episódio, a Irlanda foi o primeiro país a começar a cobrar uma taxa por cada saquinho, ainda no mesmo ano. Cerca de 23 milhões de euros foram arrecadados e depois investidos em projetos ambientais, com uma redução de 90% no consumo de saquinhos.

O impacto das sacolinhas plásticas pode ser sentido por diversas espécies diferentes. Foto: Cultura Mix.

Apesar do sucesso irlandês, baleias continuam sendo encontradas cheias de plástico em diversas praias do mundo todo, já que o oceano não tem fronteiras e precisamos de ações que sejam globais.

Uma medida importante para a redução das sacolinhas plásticas é atribuir um valor a ser pago por elas nos estabelecimentos. Foto: Independent

Infelizmente, em nosso país, as sacolas plásticas são distribuídas gratuitamente na maioria dos estabelecimentos. De acordo com a Associação Brasileira de Supermercado (Abras), são consumidas mais de 13 bilhões de sacolas plásticas por ano no Brasil! Para tentar minimizar o problema, alguns estados e cidades já possuem leis que proíbem a distribuição gratuita, e os estabelecimentos cobram taxas de seus clientes que optam por utilizar sacolinhas. Outros locais oferecem descontos alguns nas compras de quem abrir mão das sacolas plásticas.

Trilhões de sacolas plásticas são distribuídas por ano no mundo, causando prejuízos incalculáveis à fauna. Foto: In Our Hands

Mas será que todas as sacolinhas são iguais? Todas causam o mesmo impacto ambiental? Veja aqui algumas diferenças importantes entre elas:

Sacolas plásticas convencionais

Feitas de: Polietileno. O polietileno pode ser de baixa densidade (PEAD) – reciclável ou de alta densidade (PEBD). Tanto um quanto o outro podem ser obtidos de fontes renováveis (petróleo) ou fontes renováveis, como a cana-de-açúcar. Quando a fonte escolhida é um vegetal, ganham o nome de plástico verde. Porém, independente da fonte, causam a mesma poluição quando são descartados inadequadamente.

É biodegradável? Não.
É compostável? Não.
É reciclável?
Sim.

Sacolas de polietileno causam grande poluição quando são descartadas inadequadamente. Foto: Exame

Sacolas recicladas

Matéria-prima: Feitas a partir de material reciclado, que pode ser desde caixinha de leite a tipos de plástico variados.

Impactos: Os mesmos que as sacolas plásticas convencionais.

É biodegradável? Não.
É compostável? Não.
É reciclável? Sim.

Sacolas oxibiodegradáveis

Matéria-prima: Também fabricadas com polietileno, mas contém um aditivo chamado D2W, que acelera a decomposição, pois faz a sacola se separar em partículas menores. Como precisam se oxidar para depois se degradar, são chamadas de oxibiodegradáveis.

Impactos: Em teoria, essas sacolas oxi-bio deveriam se decompor em até 18 meses em contato com o calor, o ar e a umidade. Porém, na prática esse tempo é muito maior.

Além disso, várias pesquisas nacionais e internacionais afirmam que o aditivo só faz com que as sacolinhas se fragmentem em milhares de micro pedacinhos, virando uma verdadeira “farofa de microplástico”, muito mais difícil de conter que um saco plástico inteiro, e que contamina ainda mais os animais e humanos que se alimentam deles, além de deixar resíduos químicos no solo. Ou seja: não são biodegradáveis, muito menos compostáveis. Na verdade, causam muito mais dano do que sacolas de plástico comum, mas esse dano é, literalmente, invisível.

É biodegradável? Não.
É compostável? Não.
É reciclável? Sim.

Sacolas feitas de bioplástico

 

Infelizmente, mesmo as sacolas de bioplástico e biodegradáveis podem causar diversos impactos ambientais difíceis de contornar. Foto: DEB SUE Plásticos

Matéria-prima: Vegetais (amido de milho, beterraba, mandioca e outros vegetais).

Impactos: Existem vários tipos de sacolas bioplásticas, cada uma com propriedades diferentes, mas é muito importante entender que nem toda sacola feita de vegetais é necessariamente compostável e/ou biodegradável.

É considerada biodegradável a sacola que, depois de ser degradada por microorganismos como bactérias e fungos, se torna água, dióxido de carbono e materiais orgânicos. As sacolas de bioplástico que de fato são compostáveis deveriam se decompor em até 180 dias, mas precisam de condições especiais para isso acontecer, como temperatura, umidade e pressão controladas. Ou seja: nem sempre se decompõe como deveriam, se desfazem em microplásticos e causam os mesmos problemas que as sacolas oxibiodegradáveis. Por isso, as sacolas feitas de bioplástico podem não ser tão ecológicas quanto parecem.

É biodegradável? Alguns tipos de bioplástico sim, outros não.
É compostável? Alguns tipos de bioplástico sim, outros não.
É reciclável? Sim.

Moral da história: todas os tipos de sacolinhas plásticas dependem de uma destinação muito precisa para não causar impactos ambientais, e na maioria das vezes essa destinação não acontece corretamente. Por isso, o ideal é não usar essas sacolinhas. E como podemos substituí-las? Aí vão algumas dicas:

Algumas alternativas para substituir as sacolinhas plásticas:

  1. Recuse as sacolinhas plásticas oferecidas nos estabelecimentos;
  2. Use sacolas que não são descartáveis, como as de algodão, TNT, palha, ráfia, material reciclável, tecidos diversos, entre outros;
  3. Use sacos de tecido ou voal para comprar frutas, verduras e produtos a granel;
  4. Prefira utilizar um carrinho de feira ao fazer compras;
  5. Coloque as compras em caixas de papelão para levar no porta-malas do carro.

    No Parque das Aves, utilizamos sacolas feitas de papel reciclado e reciclável em nossa loja.

Foto de capa: Cultura Mix