A incrível história da misteriosa arara azul pequena

Depois do filme Rio, a história da ararinha azul ficou conhecida internacionalmente – embora, diferente da história do filme, ela não existisse realmente no Rio de Janeiro, e sim na Bahia.

Mas algo é que não existe apenas uma arara azul: na verdade, existem quatro! São elas:

  1. A ararinha azul (Cyanopsitta spixii), que costumava ser encontrada na Bahia e está extinta da natureza, existindo apenas sob cuidados humanos;
  2. A arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari), que está ameaçada de extinção na natureza;
  3. A arara-azul-grande (Anodorhynchus hyacinthinus), que está ameaçada de extinção na natureza;
  4. A arara-azul-pequena (Anodorhynchus glaucus), que é considerada extinta, tanto na natureza quanto sob cuidados humanos.

A imagem abaixo mostra onde as três araras azuis que ainda existem podem ser encontradas em nosso país:

Foto: Projeto Arara Azul

A história da extinção da arara-azul-pequena (Anodorhynchus glaucus) é cercada por mistério. Essa espécie era encontrada nas bacias do rio Uruguai, Paraguai e Paraná, em algumas regiões da Argentina, Paraguai, Bolívia, Uruguai e região sul do Brasil. Porém, ela não é avistada na natureza há mais de 80 anos: o último registro é dos anos 60, no Rio Iguaçu, próximo a região onde o Parque das Aves se localiza. Em 1992, foi realizada uma expedição pela Argentina, Paraguai e Brasil em busca da arara-azul-pequena, mas nenhuma foi encontrada, atestando que a espécie realmente havia sumido do planeta.

Atualmente, existem apenas dois exemplares conservados por meio de taxidermia – uma técnica popularmente chamada de “empalhamento”. É por conta desses exemplares que sabemos algumas características física do animal. Diferente da arara-azul-grande, que pode chegar a ter um metro de comprimento da cabeça à ponta da cauda, a arara-azul-pequena tinha apenas 70 centímetros de comprimento. Seu azul era esverdeado e muito claro, e a coloração ao redor dos seus olhos era amarela. A expectativa de vida entre as araras azuis é de 50 e 80 anos, mas não sabemos se isso se aplicaria a araras menores como a arara-azul-pequena.

Desenho de como se imagina que era uma arara azul pequena

Relatos do início do século 19 indicam que elas se alimentavam de palmeiras butiá que cresciam nas bordas de rios. As populações diminuíram muito por conta da caça para obter sua carne e penas, pelo tráfico ilegal para envio a outros países e pela destruição das florestas, que dizimou as palmeiras que produziam seus frutos favoritos.

A espécie possui poucos registros de cativeiro, sendo que os últimos exemplares morreram no Zoológico de Londres em 1912, no Jardin d’Acclimatation, em Paris, em 1914 e no Zoológico de Buenos Aires, em 1936. Como não existem exemplares desse animal em zoológicos para reprodução e reintrodução na natureza, atualmente essa ave é considerada extinta.

Nesse ponto, a ararinha-azul do filme Rio teve mais sorte: com uma população em segurança em criadouros e zoológicos, foi possível reproduzir a espécie, que ganhou um Refúgio de Vida Silvestre criado especialmente para ela em 2018 e deve voltar para a natureza a partir de 2021. As 50 primeiras ararinhas chegarão a Brasil ainda em 2019.

Reprodução/Rio – Site Oficial

A história das ararinhas-azuis mostra claramente a importância de se manter espécies ameaçadas de extinção em locais seguros como os zoológicos, que funcionam como uma verdadeira arca de Noé contra a extinção.

Aqui no Parque das Aves, cuidamos de diversas espécies ameaçadas, e também mantemos outras espécies que ainda não possuem nenhuma ação de conservação voltada para elas, e portanto possuem maior necessidade mais de uma população de segurança sob cuidados humanos. Cada um de nossos visitantes nos ajuda a construir esta história de conservação.