O que a lenda da árvore da vida nos ensina sobre nós mesmos?

Você já conhece a lenda da árvore da vida? Conheça essa história (e descubra a lição que ela tem para nos ensinar) aqui no blog!

Com certeza alguns de vocês aqui já ouviram falar de uma árvore da vida ou até já viram alguma imagem de uma árvore com raízes longas e copa muito ampla, que nos dá uma ideia de proteção, provimento e fartura.

As crianças, em seus desenhos escolares, com frequência reproduzem desenhos de árvores com tais características. É como se representassem, através das cores e traços simples, a figura materna na visão mais tradicional da nossa cultura: a que tudo abraça, que a todos acolhe, aquela que alimenta e aquece, aquela que dá a vida. 

Por outro lado, a árvore aparece também em várias culturas, mitos, livros e histórias, representando a vida eterna, a cura, a verdade ou a ligação entre o terrestre e o divino.

Em todos esses contos, no entanto, a árvore da vida parece carregar recursos que nós, meros mortais, precisamos para viver. E é sobre isso que quero falar aqui com vocês, hoje.

Como a história da árvore possui algumas versões, vou me ater à versão que para nós daqui, do Parque das Aves, possui um significado especial

A lenda da árvore da vida

“Em uma de suas andanças pelo mundo, o jovem deus Wotan se deparou com a Árvore da Vida. A árvore era responsável pelo equilíbrio do mundo e abrigava em meio às suas raízes a Fonte do Saber.

Impressionado com a árvore e seus poderes, Wotan pediu a seu guardião, Mimir, permissão para beber da água da fonte, pagando como preço um de seus próprios olhos.

Não satisfeito em beber da fonte, o jovem deus cortou um pedaço do tronco da árvore para criar uma lança, a qual usou para entalhar as regras do mundo, a fim de dominá-lo.

Porém, ferida, a árvore deu origem a um fogo que se espalhou e consumiu toda a vida na Terra. Já sem vida, o mundo foi então inundado por água, extinguindo homens, gigantes, anões e até mesmo deuses.

Quando as águas desceram, a natureza, por fim, ressurgiu, desta vez sem a presença dos seres humanos.”

A árvore da vida do Parque das Aves

Não sei se todos sabem, mas nosso primeiro viveiro, da porta de entrada, o que recepciona nossos visitantes, possui, em seu interior, a representação da Árvore da Vida, e não é por acaso. E, já dizia o ditado, “a primeira impressão é a que fica”.

Desde a entrada do Parque até o final da trilha, desde o trabalho das equipes de atendimento até as equipes responsáveis por manter “de pé” tudo isso que vemos à nossa volta… tudo é pensado para transmitir aos nossos visitantes a seguinte mensagem: a natureza não precisa de nós… nós é que precisamos dela! E é isso que precisamos ter em mente quando pensamos na nossa relação com o nosso planeta. 

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No primeiro viveiro do Parque das Aves, os visitantes podem observar uma réplica da Árvore da Vida, que relembra a lenda do deus Wotan e ensina que nós precisamos da natureza (e não o contrário). Foto: Equipe do Parque das Aves.

Em todas as versões dessa história – ou pelo menos das que conhecemos – a árvore é uma figura representativa para nossas necessidades enquanto seres humanos.

No entanto, é fácil perceber que enquanto humanos, nos colocamos numa posição privilegiada em relação aos demais seres vivos e à própria árvore.

Retiramos dela tudo aquilo que precisamos, indiscriminadamente, sem entender que somos parte de um equilíbrio que depende da saúde de cada espécie para conseguir sobreviver.

Não entendemos que, ao cortar cada vez mais a casca, os galhos e retirar cada vez mais frutos dessa árvore, sem deixar que ela se recupere, estamos acabando com a nossa própria chance de sobrevivência na Terra.

Mantendo a árvore da vida próspera

É claro que precisamos produzir alimentos, roupas, moradia, energia e formas diversas de tecnologias, mesmo sabendo que tudo isso é responsável por tirar pedacinhos da nossa árvore. No nosso caso, da natureza, da nossa Mata Atlântica.

Mas hoje, graças a tudo que nossa espécie humana descobriu através do tempo, seja através da sabedoria popular, seja pela ciência, existem formas de usufruirmos de cada fruto sem precisar ameaçar a árvore.

É isso que chamamos de desenvolvimento sustentável, um termo que estamos cansados de ouvir, que está muito presente na TV, na internet e nas nossas rodas de conversas, mas que nem todo mundo sabe o que significa.

A ideia do desenvolvimento sustentável nasce a partir de uma reunião da Organização das Nações Unidas lá em 1983. Isso aconteceu quando as nações do mundo perceberam que precisavam se desenvolver, mas que nenhum desenvolvimento econômico ou social seria possível se não existisse um equilíbrio entre o que é retirado na natureza e sua conservação.

Infelizmente, o que vemos hoje, quase 40 anos depois, é que uma pequena parcela da população mundial realmente levou a sério o que foi dito lá naquela época. Muitas pessoas nem sabem o quão grave é a situação da Terra e dos ambientes naturais – entre eles a Mata Atlântica – hoje.

Já outras, estão tão preocupadas em garantir o próprio sustento, em ter alimento, moradia e o mínimo de condições para dar uma vida digna para a família, que sequer tem tempo para pensar sobre sua relação com o meio ambiente.

Podemos salvar nossa árvore da vida

Costumo dizer que, se todos soubessem o quão grave é a situação que nossos ambientes naturais se encontram, todos estariam fazendo algo para reverter os danos agora; tratando as feridas da nossa árvore, para dar-lhe tempo de se recuperar antes que ela não exista mais. 

E chegamos, agora, no ponto que eu queria chegar quando comecei a contar toda essa história para vocês.

A árvore da vida não precisa morrer para que comecemos a agir.

Aliás, ela não pode! Provavelmente, não haveria mais tempo para nós… caso isso acontecesse.

O mundo todo não precisa ser tomado por fogo a exemplo do Pantanal em 2020… e não precisa ser inundado de água, a exemplo de Recife, em pleno 2022.

Sim, desde que o mundo é mundo passamos por fenômenos naturais que devastam áreas e mudam o curso da vida em alguns locais… mas, agora é diferente: esses desastres estão sendo causados por nós, e em dimensões gigantescas.

Precisamos tornar nossa convivência com a natureza, uma convivência sustentável. É necessário retirar dela apenas o suficiente para atender às nossas necessidades, sem desperdícios, sem exageros, sem excessos.

O número de seres humanos na Terra já passou do limite tolerável para continuarmos retirando dela a quantidade de “frutos” que aprendemos a retirar. Os frutos precisam ser suficientes para todos, mas uma árvore doente não produz fruto algum.

A missão do Parque das Aves

Quem trabalha aqui, no Parque das Aves, tem o privilégio de trabalhar em uma instituição em que a missão central é o cuidado com essa árvore tão preciosa.

Portanto, mesmo que não paremos para pensar nisso, a cada ação que fazemos aqui, no nosso trabalho, estamos ajudando a cuidar da árvore da vida, a qual chamamos aqui, carinhosamente, de Mata Atlântica.

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A experiência de visitar o Parque das Aves quer ensinar sobre o quanto precisamos da natureza e devemos conservá-la como prioridade máxima. Ilustração: Parque das Aves.

Cada material compostado e/ou destinado a reciclagem. A preocupação com a compra de alimentos cuja produção não prejudicam o meio ambiente. O uso de material biodegradável ao servir o almoço dos visitantes. O trabalho de encantar uma criança que nunca tinha visto um macuco e agora sabe que essa ave planta as árvores da floresta. Um animal tratado. Cada cuidado de bem-estar tomado. Um artigo científico publicado.

Em cada uma de nossas ações, nós, a equipe do Parque das Aves, trabalhamos todos os dias para que nossa Mata Atlântica continue frondosa.

Sempre dando frutos e provendo tudo aquilo que precisamos para continuarmos vivendo bem, saudáveis e respeitando cada um dos seres vivos que, assim como nós, devem ser respeitados em seu direito à vida.

Cuidando da nossa Mata Atlântica

Através do nosso trabalho, agimos em pilares muito importantes para tornar a convivência entre pessoas e natureza, uma convivência sustentável. Afinal, somos um exemplo de que a convivência saudável e sustentável entre nós e a natureza pode (e precisa) dar certo!

Cada um no seu setor, cada um com suas tarefas diárias, algumas mais operacionais, outras mais estratégicas, algumas mais simples, outras mais complexas. Mas, cada pessoa deste espaço de trabalho e de natureza, é responsável pelos cuidados com a nossa árvore Mata Atlântica. 

Nós, da Equipe de Educação Ambiental do Parque das Aves, fomos designados para transmitir diretamente ao nosso público a importância das nossas ações para a conservação da Mata Atlântica. Porém, não fazemos isso sozinhos!

Todos os colaboradores, através do seu trabalho diário, passam adiante a mensagem de que é com pequenos gestos que se realizam as grandes ações! Todo mundo que trabalha aqui sensibiliza os visitantes e a comunidade sobre a urgência de termos hábitos mais sustentáveis.

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Todos que trabalham no Parque das Aves sensibilizam os visitantes e a comunidade sobre a urgência de termos hábitos mais sustentáveis para proteger a natureza. Foto: Equipe do Parque das Aves.

A educação é o caminho

Hoje é 03 de junho, Dia Nacional da Educação Ambiental. A data foi escolhida com o intuito de “ressaltar a importância de práticas educativas e políticas públicas que visem a conservação e construção de uma sociedade mais consciente e sustentável.”

No entanto, preciso agradecer não só a equipe de educadoras e educadores que trabalha comigo, mas cada um dos meus colegas por sua contribuição com os cuidados com a nossa árvore da vida.

Então, obrigada por serem exemplo de como cada cidadão pode contribuir para a proteção da #NossaMataAtlântica. Por serem importantes atores no processo de educação para conservação realizado por esta instituição!

Assim, o meu desejo genuíno, no dia de hoje e em todos os outros, é que cada um de nós que acredita que podemos mudar comportamentos, atitudes e crenças com a educação, entenda que cada gesto é valioso neste processo.

Educar para a conservação é entender e compartilhar o entendimento de que precisamos todos viver a vida como se fôssemos bicho, como se fôssemos mata, como se fôssemos rio, como se fôssemos luar, como se fôssemos mangue, como se fôssemos praia, como se fôssemos céu, como se fôssemos mar.

Com carinho,
Daniella França
(Coordenadora de Educação Ambiental do Parque das Aves)

Há muitas espécies na Mata Atlântica

No entanto, quando falamos em conservação da Mata Atlântica não estamos falando apenas das aves, mas de todo um conjunto de ambientes que abrigam dezenas (e talvez centenas) de milhares de espécies de seres vivos – inclusive, aqueles que muitas pessoas nem gostam muito, como os sapos.

Por isso, trago para vocês a história de um pequeno sapo que vive lá na Serra de Itapeti, em Mogi das Cruzes, São Paulo… um dos poucos remanescentes de Mata Atlântica conservada que ainda resta!

Porém, assim como as demais áreas desse bioma que persistem, também está sendo ameaçado pelas ações humanas das cidades do entorno.

Essa é uma mensagem que nos convida a olhar com mais empatia para cada pequeno ser que está à nossa volta e a acreditar na mudança!

A história do pequeno sapo pensador

O que será que ele pensa, na imensidão dessa floresta?
Talvez pense no cantinho apertadinho que lhe resta.
Ou talvez no dia escuro em que saiu daquele ovo
Ou talvez se um outro dia ele verá nascer de novo.

Sapinho só quer viver em paz e poder se alimentar
Mas tem medo da ameaça que está prestes a chegar
Ele notou que a humanidade mudou muito e de repente
Com medo de um novo vírus que assusta a toda gente

Sapo queria que as pessoas enxergassem o que ele vê
Além de uma pandemia que faz o mundo perecer
O mundo daquele sapo sofre há muitos anos mais
Desde que a nossa espécie humana ameaça os animais

Os sapos e outros bichos estão morrendo pouco a pouco
Pois por poder e dinheiro todo mundo ficou louco
Destruímos nossas matas, nossos mangues cerrados
Derrubamos as florestas deixando-os desabrigados

E se você acha que é pouco o que o sapinho está sofrendo
Pense que não é só ele, mas um mundo inteiro está morrendo
Problemas tem se alastrando por causa de ações humanas
Causando extinção de espécies quase todas as semanas

Então quando penso nisso me lembro do pequeno sapo
Que sozinho na floresta reflete enquanto infla o papo
E o meu desejo hoje é ver o sapinho crescer
E que nós, seres humanos, deixemos a Terra viver.

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