Migrando com o misterioso papagaio-charão

Afinal, para onde vai o papagaio-charão durante o inverno?

Essa era a pergunta que, há mais de 30 anos, Nêmora Prestes e Jaime Martinez estavam tentando responder.

O casal de biólogos, que se conheceu na faculdade, estava investigando um verdadeiro mistério.

Entre março e julho, todos os papagaios-charão que viviam no Rio Grande do Sul desapareciam… e, meses depois, retornavam.

Assim, para desvendar esse enigma da natureza, os dois começaram a monitorar as aves.

Esse misterioso papagaio desaparecia do Rio Grande do Sul durante meses… e depois retornava. Para onde será que ele ia? Foto: Equipe do Parque das Aves.

Uma descoberta surpreendente

Foi assim que, da curiosidade do casal, nasceu o Projeto Charão, em 1991.

Porém, mesmo depois de percorrer todo o Rio Grande do Sul, os pesquisadores não encontraram as aves.

Então, decidiam procurar em Santa Catarina. E foi lá, em um local cheio de árvores conhecidas como pinheiro-brasileiro (ou araucária), que eles descobriram a charada.

Ali, em meio à floresta, milhares de papagaios se alimentavam de pinhão, a semente das araucárias!

O papagaio-charão se alimenta de pinhão, semente da araucária, uma árvore que está ameaçada de extinção. Foto: Equipe do Parque das Aves.

Aparentemente, os papagaios passavam meses fazendo um lanchinho prolongado em outro estado!

Por isso, até hoje, o projeto monitora os locais onde a espécie se alimenta e se reproduz, além de promover atividades educativas em escolas.

Além disso, o projeto planta árvores nativas, especialmente as araucárias, que estão ameaçadas de extinção. Assim, eles garantem a alimentação das aves a longo prazo!

Afinal, embora a espécie se alimente de outras espécies vegetais, os pinhões ainda são essenciais para os papagaios.

De fato, durante meses de inverno com frio intenso, quando não há tanta opção de alimento, são essas sementes que garantem a energia do bando!

Uma revoada espetacular

Presente no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, o papagaio-charão também já foi avistado na Argentina e possui registros históricos no Paraguai.

Porém, só podemos observar a revoada de milhares deles no Brasil. Inclusive, essa é a única espécie de papagaio migratório do país!

Hoje, a população do papagaio-charão soma 20 mil aves – e todas migram para Santa Catarina no inverno!

Afinal, embora haja araucárias no Rio Grande do Sul, o estado vizinho protege melhor esses pinheiros, oferecendo um verdadeiro banquete para os papagaios!

De fato, a chegada de tantas aves coloridas já virou atração turística na serra catarinense. Então, se você estiver por perto no inverno, aproveite para observar a revoada!

Inclusive, anota aí a nossa dica: os melhores horários para visualizar os papagaios são às 7 horas da manhã e às 17 horas da tarde. Afinal, é quando as aves saem do local onde dormem para comer!

De barriga cheia, em busca do ninho

Depois de tanto pinhão, é hora dos papagaios voltarem para casa!

Então, aos poucos, eles começam a retornar para o Rio Grande do Sul, onde irão se reproduzir.

Como essa espécie tem um único parceiro durante toda a vida, é sempre o mesmo casal que se reproduz. Assim, entre agosto e setembro de cada ano, nascem os filhotes.

Porém, nem sempre há ninhos para todos.

Infelizmente, com o desmatamento, faltam buracos nas árvores para as aves colocarem seus ovos.

Por isso, os pesquisadores instalam caixas-ninho, que replicam essas cavidades naturais.

Primeiro, eles estudaram sobre os ninhos na natureza. Depois, criaram caixas de madeira. Porém, com a chuva, elas duravam pouco!

Então, a equipe inventou modelos de polietileno, que duram até 25 anos. Afinal, temos muitas gerações de papagaios para ajudar, né?

Inclusive, você pode ajudar uma família de papagaios adotando um ninho aqui!

As caixas-ninho são muito importantes para os papagaios que não encontram buracos em árvores para colocar seus ovos. Foto: Equipe do Parque das Aves.

Protegendo as árvores que os papagaios amam

Em 2018, o projeto criou a Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Papagaios de Altitude, na cidade catarinense de Urupema.

O objetivo dessa unidade de conservação é proteger o local onde os papagaios se alimentam.

De fato, a área protegida também alimenta outro papagaio que adora pinhão: o papagaio-de-peito-roxo.

Por isso, o Parque das Aves se orgulha em apoiar essas atividades, financiando a construção da base do projeto!

Reserva Papagaios de Altitude, em Urupema (Santa Catarina), onde os pesquisadores observam os papagaios. Foto: Equipe do Parque das Aves.

Atualmente, essa estrutura ajuda a melhorar as atividades de pesquisa.

Além disso, o espaço serve para ações educativas com a comunidade e os turistas que vem observar os papagaios, movimentando a economia da cidade.

Ficou curioso para saber mais sobre esse trabalho incrível? Então, veja esse vídeo:

Enfim, o mistério dos papagaios foi resolvido! Vídeo: Programa Papagaios do Brasil.

Conheça o papagaio-charão de perto

No Parque das Aves, existe um espaço muito especial, chamado “Salvando Papagaios”.

Ali, os visitantes podem conhecer vários papagaios brasileiros ameaçados de extinção – inclusive esses grandes viajantes!

Saiba mais sobre a visita no Parque das Aves, localizado ao lado do Parque Nacional do Iguaçu, onde estão as famosas Cataratas do Iguaçu.


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