5 parcerias para salvar aves da Mata Atlântica

Ninguém salva espécies sozinho: conheça 5 parcerias que o Parque das Aves já criou para conservar aves da Mata Atlântica!

Para salvar espécies em risco de extinção, primeiro precisamos entender como e onde elas estão ameaçadas.

Então, chega a hora de responder perguntas como “qual é o grau de ameaça da espécie?”, “quanto sua população vem dimuindo?”, “por que ela está desaparecendo?”, “onde ela já desapareceu?” e “como a espécie está em uma determinada região?”.

É claro que, para muitas espécies, não é nada fácil levantar todos esses dados – especialmente de forma precisa e atualizada. Imagine, então, se a sua meta é proteger 120 espécies… como é o caso do Parque das Aves!

A boa notícia é que esses dados e fatos podem ser fornecidos e compartilhados por parceiros, que também estão interessados em salvá-las.

Afinal, há especialistas que passam a vida inteira estudando esses animais… e que conseguem responder a essas e muitas outras perguntas!

Por exemplo, eles sabem dizer o que já sabemos (e o que não sabemos) sobre essas espécies: o que elas precisam para viver com qualidade e bem-estar; quais são suas maiores ameaças na natureza (caça, tráfico, desmatamento); o que precisamos fazer para protegê-las; se podemos fazer reintrodução na natureza; se deveríamos reproduzi-las em um lugar seguro.

No entanto, como toda essa avaliação é muito complexa, é preciso reunir uma grande quantidade de dados para identificar prioridades. E, claro, isso dificilmente pode ser feito por somente uma instituição!

(Aliás, já mencionamos antes a importância do trabalho coletivo para a conservação).

Parcerias pelas aves da Mata Atlântica

Por isso, no Parque das Aves, acreditamos numa abordagem de conservação integrada – que some esforços por um propósito comum!

Então, aderimos a uma filosofia chamada OPA (One Plan Approach to Conservation Planning) – ou, em português, “Plano Único de Conservação”.

O Grupo Especialista em Planejamento de Conservação (CPSG – Conservation Planning Specialist Group) – uma iniciativa da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) – foi o responsável por desenvolver esse método de trabalho.

Em resumo, a filosofia OPA busca unir todas as disciplinas, meios, instituições e pessoas que podem contribuir para salvar uma espécie da extinção.

Ou seja, juntar todo mundo que já está “no mesmo time”… mas ainda não sabe ou anda “jogando” separado! Afinal… a união faz a força, né?

No Parque das Aves, usamos uma metodologia chamada OPA (Plano Único de Conservação), que nos ajuda a fazer parcerias estratégicas para salvar aves da Mata Atlântica!

Abrigando e protegendo aves da Mata Atlântica

Então, para criar esse tipo de planejamento estratégico coletivo, trabalhamos sempre em parceria com especialistas da área da conservação.

Inclusive, em 2018, o Parque das Aves se tornou a Sede Nacional Brasileira do Grupo Especialista em Planejamento para a Conservação (CPSG) da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN).

Isso significa que somos parte de uma rede global de profissionais da conservação dedicados a salvar espécies ameaçadas no mundo todo!

Assim, como parte desse compromisso, organizamos e patrocinamos oficinas lideradas por especialistas do Brasil e do exterior para definir as ações específicas que podem salvar espécies ameaçadas de extinção!

Método de trabalho do Parque das Aves.

No entanto, apesar da atuação em nível internacional, o trabalho focado no bioma Mata Atlântica não ficou para trás!

Desde que anunciamos nosso novo foco em espécies da Mata Atlântica, abrigamos mais aves desse bioma do que nunca.

Se, em julho de 2017, 70% das espécies do Parque das Aves eram do bioma Mata Atlântica, hoje esse número já representa 93%!

Cinco anos atrás, ao anunciar nosso compromisso em trabalhar exclusivamente com esses animais, nossa meta era que 95% das aves abrigadas na instituição fossem nativas do bioma.

Assim, podemos dizer que estamos conseguindo materializar esse sonho com muito sucesso.

Então, que tal conhecer 5 parceiros que estão transformando nosso sonho de salvar espécies da Mata Atlântica em realidade?

1 – Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio)

Mesmo antes de atuar pela conservação da Mata Atlântica, o Parque das Aves já estava envolvido com Planos de Ação Nacionais (PANs) para conservar espécies de aves ameaçadas de extinção, liderados pelo Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio).

De fato, em 2015 já atuávamos na reprodução do mutum-de-alagoas (Pauxi mitu), como parte do PAN Mutum-de-Alagoas.

O mutum-de-alagoas, uma das aves da Mata Atlântica, está extinto na natureza. Por isso, o Parque das Aves abriga e reproduz a espécie desde 2015. Foto: Equipe do Parque das Aves.

Além disso, após a criação do PAN para a Conservação dos Passeriformes Ameaçados dos Campos Sulinos e Espinilho, o Parque das Aves ficou responsável pela manutenção e reprodução do cardeal-amarelo (Gubernatrix cristata), um pássaro ameaçado de extinção.

Então, por meio de um acordo de cooperação técnica entre o ICMBio, o Ministério do Meio Ambiente e a Associação de Zoológicos e Aquários do Brasil (AZAB), mantemos e reproduzimos a espécie desde 2016 – mesmo que não seja uma ave de Mata Atlântica, nosso atual foco de trabalho.

Um pequeno filhote de cardeal amarelo dorme nas mãos do tratador. A ave, nativa dos campos do Sul do Brasil, faz parte dos nossos programas de reprodução desde 2016. Foto: Equipe do Parque das Aves.

Em 2018, também patrocinamos e organizamos um workshop para aplicar as diretrizes da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) ao PAN para a Conservação de Papagaios.

Nessa ocasião, os especialistas analisaram as seguintes espécies: papagaio-charão, papagaio-chauá, papagaio-moleiro, papagaio-de-cara-roxa, papagaio-de-peito-roxo e papagaio-verdadeiro.

Papagaio-de-peito-roxo, espécie presente no PAN Papagaios do Brasil, que foi analisado em um workshop custeado e organizado pelo Parque das Aves. Foto: Equipe do Parque das Aves.

Unindo forças pelas aves da Mata Atlântica

Posteriormente, diversas espécies de aves da Mata Atlântica que tinham PANs separados ganharam um único plano de proteção: o Plano de Ação Nacional para Conservação de Aves da Mata Atlântica.

Então, a partir de 2017, conforme nossos esforços de conservação se voltaram para as aves da Mata Atlântica, também participamos do Grupo Assessor desse PAN.

Logomarca do PAN Aves da Mata Atlântica, criado para conservação das aves do bioma.

Para isso, apoiamos e co-organizamos diversas oficinas para os especialistas envolvidos, algumas dentro do próprio Parque!

De fato, esse foi o caso de uma oficina para conservação da choquinha-de-alagoas e da rolinha-do-planalto, em 2019, e de um workshop para criar estratégias de conservação para a saíra-apunhalada, em 2021.

Por fim, conforme as decisões do PAN Aves da Mata Atlântica, ficamos responsáveis por abrigar e reproduzir aves do bioma sob cuidados humanos, visando a reintrodução e o revigoramento de populações na natureza.

2 – Projeto Jacutinga – SAVE Brasil

Um outro exemplo de parceria bem-sucedida para salvar espécies da Mata Atlântica é o trabalho realizado pelo time do Projeto Jacutinga, uma iniciativa da SAVE Brasil (Sociedade para a Conservação das Aves do Brasil).

Como a jacutinga (Aburria jacutinga) está praticamente extinta em algumas regiões da Mata Atlântica devido à caça ilegal e às alterações em seu ambiente natural, o projeto busca reintroduzir e monitorar as aves nas áreas onde elas costumavam ocorrer.

Assim, com solturas planejadas, é possível reconstruir as relações ecológicas que existiam antes.

Afinal, uma jacutinga pode dispersar mais de 40 espécies de plantas da Mata Atlântica!

Então, salvar essa incrível jardineira da floresta ajuda a proteger muitas plantas nativas (e animais que se alimentam delas).

Além disso, as atividades do Projeto Jacutinga também ajudam a educar as comunidades locais sobre a importância da espécie!

Nascidas para viver no mato

Assim, desde 2016, o Parque das Aves atua em parceria com o projeto, reproduzindo e enviando jacutingas para receberem um treinamento pré-soltura, que as prepara para a vida no ambiente natural.

Em 2017, enviamos 6 jacutingas que, durante 8 meses, passaram por esse processo de ambientação, dentro de um recinto em meio à mata nativa.

Então, no ano seguinte, a primeira soltura realizada foi a da jacutinga Mimi, seguida de Tingo e Mac – todos nascidos no Parque das Aves! É orgulho que chama, né?

Além disso, em 2019, o Parque das Aves também patrocinou um curso de capacitação em metodologia Vortex (um modelo computacional usado em ações de conservação) para profissionais do Projeto Jacutinga.

A jacutinga, uma das aves da Mata Atlântica, está ameaçada de extinção. Por isso, alguns indivíduos nascidos no Parque das Aves foram preparados pela SAVE Brasil para soltura no ambiente natural. Foto: Equipe do Parque das Aves.

3 – Aquasis

Desde 2018, o Parque das Aves é parceiro da ONG Associação de Pesquisa e Preservação de Ecossistemas Aquáticos (Aquasis), por conta do periquito-de-cara-suja (Pyrrhura griseipectus), considerado o mais ameaçado das Américas, devido ao desmatamento e tráfico de animais.

Como parte dessa parceria, nos comprometemos a receber, abrigar e reproduzir periquitos-de-cara-suja resgatados de tráfico que não possam voltar ao seu ambiente natural.

O periquito-de-cara-suja está ameaçado de extinção por conta do desmatamento e do tráfico de animais. Por isso, o Parque das Aves se uniu à Aquasis para abrigar e reproduzir animais resgatados de tráfico que não possam retornar à natureza. Foto: Aquasis.

No entanto, no início de abril, a parceria cresceu ainda mais!

A Aquasis, com autorização dos órgãos ambientais, trouxe cinco indivíduos de uru-do-nordeste (Odontophorus capueira plumbeicollis), uma das aves mais raras do Brasil, para compor uma população que iremos abrigar e reproduzir em segurança aqui no Parque das Aves.

A Aquasis trouxe cinco urus-do-nordeste, uma das aves mais raras do Brasil, para se reproduzirem no Parque das Aves. Foto: Equipe do Parque das Aves.

4 – Programa Papagaios do Brasil

Não é segredo o quanto nossa equipe é apaixonada por papagaios, certo?

Por isso, três anos após a abertura do Parque das Aves, nós já atuávamos como principal financiador do Projeto Papagaio Verdadeiro, desde 1997.

A equipe do Parque das Aves sempre foi apaixonada por papagaios. Por isso, apoiamos e financiamos o Projeto Papagaio Verdadeiro desde 1997.

E, como o amor pelos papagaios é imenso… vai muito além de uma única espécie!

Por isso, em 2018, em parceria com o ICMBio, decidimos patrocinar e organizar um workshop em prol do Plano de Ação Nacional para Conservação de Papagaios.

Além disso, já lideramos ou participamos de diversas outras ações para proteger essas espécies! Por exemplo, nós já…

  • Repassamos recursos para construir caixas-ninho e enviamos papagaios para soltura sob os cuidados do Projeto de Reintrodução do Papagaio-de-Peito-Roxo, no Parque Nacional das Araucárias, em 2017;
  • Apoiamos o Censo Anual do Papagaio-de-Cara-Roxa com patrocínio e envio de colaboradores, em 2017 e em 2018;
  • Enviamos nossa equipe para ajudar no Censo Anual do Papagaio-de-Peito-Roxo, em 2018;
  • Oferecemos consultoria em comunicação estratégica para os projetos Papagaio-Verdadeiro e Papagaio-Chauá;
  • Oferecemos design gráfico sem custo para as logomarcas do Programa Nacional do Mutum-de-Alagoas e do Projeto Papagaio-Chauá;
  • Criamos um aplicativo para comunidades locais registrarem o papagaio-chauá, em 2018;
  • Doamos recursos financeiros para a construção da base física do Projeto Charão, criada dentro de uma reserva, em 2019.
Papagaio-chauá, uma das aves protegidas pelo Programa Papagaios do Brasil, parceiro do Parque das Aves. Foto: Equipe do Parque das Aves.

Unidos como papagaios

Em dado momento, todas as ações de proteção para essas espécies de papagaios foram reunidas no Programa Papagaios do Brasil. Seguimos divulgando e apoiando as aves por meio da parceria com esse programa!

Que tal conhecer melhor as espécies protegidas pela iniciativa nesse vídeo?

O Programa Papagaios do Brasil é o resultado do trabalho conjunto entre diversos programas de conservação de papagaios, todos parceiros do Parque das Aves.

5 – Secretaria Estadual do Meio Ambiente (SEMA) e Instituto Ambiental do Paraná (IAP)

Infelizmente, a Lista de Aves Ameaçadas de Extinção do Paraná estava desatualizada desde 2004.

A ausência de informações confiáveis prejudica a tomada de decisão na conservação das aves.

Afinal, como tentar entender, melhorar ou resolver a situação de uma espécie… sem saber o nível de ameaça em que ela se encontra?

Por isso, uma lista vermelha de aves do Paraná atualizada fornece informações precisas sobre as espécies, funcionando como um ranking das aves que mais precisam de proteção. Então, esses dados tornam as intervenções na conservação mais efetivas!

Por isso, em parceria com a Secretaria Estadual do Meio Ambiente (SEMA) e o Instituto Ambiental do Paraná (IAP), o Parque das Aves financiou e organizou a revisão da lista, publicada em 2018.

Inclusive, nesse momento de diagnóstico, infelizmente descobrimos que onze espécies de aves já não habitavam mais as matas paranaenses.

Macuco, uma espécies presentes na lista vermelha de aves ameaçadas de extinção no Paraná, cuja revisão foi financiada pelo Parque das Aves. Foto: Equipe do Parque das Aves.

Descubra as aves da Mata Atlântica

Em em sua próxima visita à Foz do Iguaçu, que tal visitar o Parque das Aves e conhecer as aves da Mata Atlântica bem de pertinho? Inclusive, estamos em frente às Cataratas do Iguaçu. Veja mais detalhes sobre a visita aqui!

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O Parque das Aves é um espaço de conexão única com as aves da Mata Atlântica.
Foto: Equipe do Parque das Aves.
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