O solo onde cresce a Mata Atlântica merece atenção

Para conservar uma floresta, é preciso olhar para onde ela cresce: o solo. Conheça importância do solo da Mata Atlântica!

Quando pensam em uma floresta, muitas pessoas lembram de árvores, flores e animais. E, de fato, as florestas abrigam uma enorme variedade de seres vivos. Porém, toda essa biodiversidade não seria possível sem um ingrediente essencial: o solo.

O solo de uma floresta diversa e rica como a Mata Atlântica leva milhares de anos para ser formar, a partir de partículas de rochas vindas de diversos lugares.

Um lento e diário processo de decomposição transforma seres que morrem em nutrientes, que permitem o desenvolvimento de espécies de plantas, que vão alimentar animais… reiniciando o ciclo!

Então, o solo é fundamental pela sua capacidade de alimentar a vida – na forma de plantas, fungos, bactérias ou animais.

Uma floresta exuberante e cheia de vida só é possível quando há um solo protegido e fértil.
Foto: Equipe do Parque das Aves.

Cada solo é único

Dependendo das condições do ambiente, cada solo apresenta características físicas e químicas completamente diferentes.

De fato, essa é uma das razões pelas quais a vegetação é diferente em cada lugar, alterando também os animais que vivem ali.

Por exemplo, o solo na Mata Atlântica é extremamente úmido, pouco ventilado e recebe pouca luz solar. Esse conjunto de características facilita a colonização do solo por fungos e bactérias.

Por sua vez, esses pequenos seres participam de ciclos biológicos e químicos que tornam os nutrientes disponíveis para as plantas, que alimentam os animis, recomeçando o ciclo.

E é por conta dessa grande orquestra da natureza, onde cada um faz o seu papel, que a vegetação da Mata Atlântica se torna mais variada e exuberante.

Assim, embora seja esquecido em muitos momentos, o solo permite que a floresta exista, abrigando uma biodiversidade incrível em suas raízes, caules, folhas e copas.

Um solo protegido permite que uma biodiversidade fantástica se desenvolva.
Foto: Equipe do Parque das Aves.

Uma grande floresta começa (e termina) no solo

Desde pequenos, aprendemos que, para uma planta crescer, é preciso que uma semente caia na terra. O que nem sempre nos damos conta é que, para formar essa terra, é preciso muito, muito tempo.

O solo é o resultado de um processo longo. Sua origem está nas rochas que se desintegram pela ação do clima, da água, do vento e do tempo.

Inclusive, esse processo também tem influência do relevo, e cada paisagem cria um tipo de solo diferente. Com tantos “ingredientes” distintos, a variedade de solos que existem é realmente impressionante!

Além disso, o solo também é o recurso mais importante dos países, já que é nele que cresce o alimento da população.

Porém, assim como uma grande floresta depende do solo… o solo também depende de uma grande floresta. É um ciclo que se alimenta, pois a floresta traz a umidade e os nutrientes que tornam o solo fértil.

Os seres da floresta interferem na qualidade do solo, e o solo nos seres da floresta.
Foto: Equipe do Parque das Aves.

Restaurando a floresta perdida

Segundo um estudo solicitado pela Organização das Nações Unidas (ONU), restaurar 30% das áreas prioritárias em ecossistemas poderiam evitar mais de 70% das extinções de espécies.

De fato, a pesquisa identificou bilhões de hectares de terras restauráveis, em todos os continentes. E o Brasil possui muitas delas, principalmente na Mata Atlântica.

Afinal, essa é uma das regiões mais devastadas do Brasil: somente em torno de 12% da floresta que existia originalmente ainda está de pé. Por isso, esse bioma brasileiro é alta prioridade global.

Porém, é impossível restaurar as áreas de Mata Atlântica desmatadas e degradadas sem pensar no seu solo.

A restauração da Mata Atlântica é considerada uma prioridade global.
Foto: Equipe do Parque das Aves.

Erosão, um processo natural acelerado pelo homem

Um dos objetivos principais de restaurar áreas degradadas e recuperar florestas perdidas é evitar a erosão.

De forma simplificada, a erosão é um processo em que a água, o gelo ou o vento arrastam e transportam as partículas que formam o solo.

Em resumo, podemos dizer que a erosão é a grande escultora do relevo, que está sempre moldando as nossas paisagens. Então, esse é um processo natural, que acontece todos os dias há milhares de anos.

Inclusive, esse processo envolve muitos fatores, como o clima, a vegetação, o tipo de solo e as características geológicas do local. Por exemplo, nosso país costuma ter chuvas frequentes. Então, com a água arrastando a terra, a taxa de erosão é maior.

Porém, diversas atividades humanas, como o desmatamento e as queimadas, aumentam a frequência e a intensidade da erosão.

O uso incorreto da terra deixa o solo exposto ao sol, ao vento e à chuva. Então, nas áreas desmatadas, a ausência de árvores para segurar a chuva faz com que a água infiltre no solo de forma rápida e exagerada.

Assim, a erosão acelerada causa vários problemas, como deslizamentos de terra, acúmulo de detritos nos rios e remoção dos insumos agrícolas colocados em colheitas (muitas vezes, justamente para que o solo fique mais fértil).

Então, podemos dizer que um leve desequilíbrio em um fator ambiental pode causar um monte de problemas sociais e econômicos.

Portanto, com boas práticas de conservação do solo, é possível evitar a erosão e garantir a produção!

Plante restauração, colha prosperidade

Felizmente, as estratégias para cuidar do solo são diversas. De fato, para cada caso, aplicamos uma técnica diferente. Algumas delas são:

  • Plantio direto;
  • Rotação de culturas agrícolas;
  • Alternância de capinas;
  • Criação de culturas em faixas;
  • Controle das queimadas;
  • Proteção das matas ciliares nos rios;
  • Cobertura da terra com palhada;
  • Adubação verde;
  • Reflorestamento com espécies nativas;
  • Criação de sistemas integrados de lavoura, pecuária e floresta.

Então, com essas técnicas, podemos promover benefícios como impedir que a terra escape quando chove demais, manter a temperatura ideal para as plantas, reduzir a perda de água que evapora, proteger beiras de rios, tornar o solo mais poroso e criar refúgios para animais.

Lá onde cresce a nossa comida

Além desses benefícios, conservar o solo cria terras onde cada área plantada é aproveitada ao máximo.

No entanto, de acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), um terço dos solos do mundo está se degradando.

Inclusive, perdemos cinco milhões de hectares de terras cultiváveis todos os anos – e um dos motivos são as práticas agrícolas inadequadas.

Essa situação é muito grave, pois quando o solo de um local está degradado, a tendência é procurar outro lugar para plantar. E, muitas vezes, a busca é pelo solo fértil de áreas de floresta.

Porém, a festa dura pouco. O desmatamento, que é comum no modelo tradicional de monocultura, interrompe as relações ecológicas que ali estavam. Então, o solo se desgasta – e o produtor agrícola precisa “corrigi-lo” com fertilizantes e aditivos químicos.

Por isso, diversas práticas de agrofloresta e agroecologia buscam manter ou recriar as relações ecológicas da natureza em seus cultivos, imitando o seu equilíbrio.

Assim, conservar o solo evita a perda de áreas produtivas, promovendo o desenvolvimento sustentável, que beneficia o agricultor e a sociedade.

Cuidar do solo é fundamental para a existência da vida na Mata Atlântica – do menor fungo ao maior mamífero. Foto: Equipe do Parque das Aves.

Terra fértil sem descanso fica estéril

Verdade seja dita: a Mata Atlântica anda precisando de um descanso.

Afinal, depois de séculos de extração de recursos (como pau-brasil, cana-de-açúcar, café, madeiras e ouro), além de desmatamento para monocultura, pecuária e crescimento imobiliário, a conta enfim chegou.

Como bem diz o provérbio popular: “terra fértil sem descanso fica estéril.” Então, para o nosso próprio bem, cuidar do bioma de 70% da população brasileira – e do solo que a suporta – se tornou uma prioridade máxima.

De fato, sempre que ignoramos o equilíbrio delicado das florestas, é preciso gastar bilhões em compensações para manter os solos em equilíbrio, o clima ameno e a colheita em dia.

Felizmente, restaurar áreas degradadas não atrapalha o desenvolvimento da agricultura. É totalmente possível recuperar essas áreas sem perder a produção atual.

Inclusive, essa abordagem traz benefícios ambientais e sociais que diversificam e fortalecem a economia.

Além disso, a restauração também melhora a qualidade da água, do solo e da polinização – três elementos essenciais para a agricultura.

Se o solo é vida, protegê-lo é vital

Com responsabilidade e a ajuda da ciência, podemos construir soluções inteligentes que não apenas respeitam a Mata Atlântica… mas também a regeneram.

Então, quando entendemos e respeitamos seus ciclos, usamos a terra de um jeito mais racional, que mantém ou melhora as propriedades físicas, químicas e biológicas do solo.

Dessa forma, reduzimos a necessidade de fertilizantes e agrotóxicos, barateamos a produção de alimentos e evitamos a contaminação de pessoas e da natureza.

Assim, se o solo é o início da vida… exigir e apoiar ações públicas e privadas que promovam seu uso consciente é, literalmente, vital.

Sem a proteção do solo, a vida não pode existir. Foto: Equipe do Parque das Aves.

Viva a Mata Atlântica de perto

Em em sua próxima visita a Foz do Iguaçu, não deixe de visitar o Parque das Aves e conhecer a Mata Atlântica bem de pertinho! Estamos em frente às Cataratas do Iguaçu. Veja mais detalhes sobre a visita aqui.

O Parque das Aves é um espaço de conexão única com a Mata Atlântica.
Foto: Equipe do Parque das Aves.

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