21 mulheres e seu trabalho na conservação de aves

Hoje, 8 de março, é celebrado o Dia da Mulher. Um dia para relembrar todas as mulheres que trabalharam muito para que tivéssemos nossos direitos garantidos, e celebrar todas as mulheres que nos inspiram e encorajam para lutar por um mundo melhor.

Paloma Bosso, diretora técnica do Parque das Aves, trabalhando em campo.

Em meio a todas essas mulheres, gostaríamos de celebrar algumas delas, observadoras de aves ou que trabalham pela sua conservação, principalmente na Mata Atlântica. Infelizmente (ou felizmente?) não conseguimos ter uma lista de todas elas, mas esperamos que as que não estão aqui se sintam representadas <3

Ligia Oliva, chefe da Divisão de Veterinária do Parque das Aves.

Vale lembrar que ainda temos um longo caminho para termos uma representação feminina mais igualitária em vários espaços. Segundo o último relatório da Unesco, agência da Organização das Nações Unidas (ONU), as mulheres representam apenas 28% dos pesquisadores no mundo e a diferença aumenta ainda mais em funções de gestão.

Segue nossa lista, em ordem alfabética:

1. Alecsandra Tassoni

Alecsandra Tassoni. Foto: arquivo pessoal.

A bióloga Alecsandra Tassoni é coordenadora do Projeto de Conservação Aves Cinegéticas da Mata Atlântica: Reintrodução e Monitoramento de Jacutingas, da SAVE Brasil, e há alguns anos vem trabalhando na reabilitação, soltura e monitoramento dessas aves. Apesar do foco do seu trabalho estar na reabilitação e acompanhamento das aves soltas nas áreas do Parque Estadual da Serra do Mar e da Serra da Mantiqueira, Alecsandra tem um talento especial para engajar a comunidade na defesa da fauna e flora da região.

“Há quase 5 anos, Alecsandra Tassoni se tornou uma importante referência em minha vida! Desde que nos conhecemos, as afinidades só aumentaram! A Alê se tornou uma inspiração como profissional, em nossa determinação máxima para melhorar o status populacional das jacutingas. Inspira também como mãe, por tamanho amor e zelo com a pequena Maria, que conheci desde a barriga e hoje já nos acompanha no campo, e de outras inúmeras formas que permitem seguir admirando essa super mulher que ela é! Obrigada por ser inspiração, minha amiga!” – Paloma Bosso, diretora técnica do Parque das Aves.

2. Anna-Sophie Helene Croukamp

Dra. Anna Croukamp, fundadora do Parque das Aves.

A Dra. Anna-Sophie Helene Croukamp, fundadora do Parque das Aves, em Foz do Iguaçu, sempre foi apaixonada por animais, tanto que escolheu a medicina veterinária para cursar. Ela foi professora acadêmica por dois anos e algum tempo depois foi para a África, trabalhar como veterinária de campo. Depois de se casar e ter duas filhas, ela e a família vieram para o Brasil e fundaram o Parque das Aves. A instituição, focada no resgate, abrigo e conservação de aves da Mata Atlântica, também gera empregos diretos e indiretos em Foz do Iguaçu e região, contando com a maioria de mulheres no quadro de funcionários, entre elas, muitas líderes e diretoras.

“A Dra. Anna é muito, mas muito mais que um exemplo a se seguir. É apoio fundamental, é o privilégio de um doce carinho que temos. Líder firme e corajosa, que incentiva, anima e cuida de cada colega de jornada, a dra. Anna é família e das boas!” – Karin W. Wolf, gerente comercial do Parque das Aves

3. Bianca Luiza Reinert

Bianca Reinert. Foto: arquivo pessoal.

A Dra. Bianca Reinert foi uma das fundadoras do Mater Natura e, em 1995, junto com outro pesquisador, descobriu uma pequena ave chamada bicudinho-do-brejo (Formicivora acutirostris).

Ela faleceu em 2018, mas deixou um legado de força e perseverança, não só para o bicudinho-do-brejo, que ela ajudou a salvar criando com amigos uma reserva para protegê-lo, mas também para profissionais que lutam para salvar espécies.

“Bianca Reinert, nossa querida Bianca do bicudinho-do-brejo, pois é assim que era conhecida por nós e por muitos amigos ornitólogos. Sua luta em proteção a esta espécie foi incansável e ferrenha. Lembro muito bem quando meu marido foi para a inauguração da RPPN Salto Morato em 1996, criada pela Fundação Grupo Boticário localizada no município de Guaraqueçaba, no litoral do Paraná, em que o Jaime comentou comigo: encontrei a Bianca na inauguração da RPPN Salto Morato e ela não perdeu nem por um momento a oportunidade de falar para as pessoas sobre a importância do bicudinho-do-brejo e da conservação de seu hábitat.

O bicudinho-do-brejo é um passeriforme da família Thamnophilidae. Seu nome científico, Formicivora acutirostris, foi descrito por Bornschein, Reinert & Teixeira em 1995. É uma ave praticamente recém-descoberta para a ciência, encontrada somente em áreas alagadas da região litorânea do Paraná e no nordeste de Santa Catarina. Infelizmente esta espécie foi avaliada mais recentemente para a Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da IUCN em 2019 como Quase Ameaçada (NT). Este habitat extremamente importante, que desaparece de nossa memória e de nossa paisagem é fundamental para mantermos vivos o bicudinho-do-brejo e nossa querida amiga Bianca. Não tem como não pensar na Bianca quando citamos ou lembramos do bicudinho-do-brejo.

Convidamos a Bianca Reinert para fazer parte de uma mesa redonda sobre Projetos de longa duração em ornitologia no XX CBO realizado durante o período de 04 a 07 de novembro de 2013 na Universidade de Passo Fundo, RS. Fazia parte também desta mesa redonda a Me. Lívia Lins (Pato Mergulhão), Dra. Neiva Guedes (Projeto Arara Azul) e a Dra. Maria Virgínia Petry (Flutuação das populações de pinguins). Quando fizemos o convite a Bianca, ela mais do que depressa respondeu: se é para falar do bicudinho-do-brejo, lá estarei.

Bianca L. Reinert, Christoph P. Hrdina, Iracema A. Suassuna, Marcos R. Bornschein e Ricardo Belmonte-Lopes adquiriram uma área em 2009 que transformaram em Reserva Bicudinho-do-brejo localizada na entrada da Lagoa do Parado, em Guaratuba, PR. Até hoje o trabalho de monitoramento da reprodução da espécie é realizado nesta importante área para a conservação desta espécie. Assim conservamos também viva em nossa memória a luta pela conservação do bicudinho-do-brejo tão fortemente realizada pela Bianca.” – Nêmora Pauletti Prestes (Projeto Charão – AMA)

4. Carmel Croukamp

Carmel Croukamp. Foto: Parque das Aves.

A Dra. Carmel Croukamp é hoje a diretora geral do Parque das Aves. Filha do casal fundador do atrativo, Carmel nasceu já embrenhada na natureza e descobriu no Brasil uma vocação para salvar animais e preservar a Mata Atlântica.

“Nasci na Namíbia. Passei a minha infância escalando colinas no deserto, vendo grandes animais selvagens. Cheguei há dez anos no Brasil e desde então tenho centrado meu trabalho em aves, principalmente nas 120 espécies e subespécies da Mata Atlântica ameaçadas de extinção.”

No final de 2017, Carmel tomou uma corajosa decisão que impactaria profundamente o atrativo, que já estava posicionado como o mais visitado de Foz do Iguaçu depois das Cataratas: decidiu focar todos os esforços na conservação de espécies de aves da região.

(trecho da entrevista de Carmel para a Revista 100Fronteiras).

5. Elenise Sipinski

Tise em trabalho de campo com o papagaio-de-cara-roxa. Foto: arquivo pessoal.

A bióloga Elenise “Tise” Sipinski trabalha com psitacídeos, especialmente o papagaio-de-cara-roxa (Amazona brasiliensis), há mais de duas décadas. Além de coordenar o projeto de conservação dessa espécie no litoral do Paraná pela Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS), ela é a responsável técnica pelo Programa Papagaios do Brasil e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN). 

“Força, amor, perseverança, compromisso, propósito e dedicação. São algumas das muitas características que marcam o trabalho da Tise na condução do projeto de conservação do papagaio-de-cara-roxa que, com sucesso, mudou a trajetória de extinção de uma espécie brasileira. Tise dedica sua vida para salvar a biodiversidade e a cultura de um lugar único no mundo, e agradeço muito pela dádiva de poder acompanhar, bem de perto, seu trabalho inspirador, há mais de duas décadas.” – Patricia Pereira Serafini (ICMBio/CEMAVE)

6. Elizabeth Höfling

Profa.Dra. Elizabeth Höfling. Foto: FAPESP.

A Profa.Dra. Elizabeth Höfling é diretora científica e presidente do Conselho Curador do Museu de História Natural de Taubaté. É membro honorário da União dos Ornitologistas Americanos e membro da União Ornitológica. A professora doutora também é uma das autoras do livro “Aves no Campus”,  um guia para reconhecimento das aves da Cidade Universitária Armando de Salles Oliveira, da Universidade de São Paulo, onde também foi professora até sua aposentadoria.

7. Emilia Snethlage

Emília Snethlage. Foto: Staatsarchiv des Kantons Basel-Stadt, PA 694c A 4-7. Basileia, Suíça.

A ornitóloga alemã Emilia Snethlage desempenhou um papel fundamental na pesquisa científica no Brasil. Ela foi a primeira cientista a realizar a travessia entre os rios Tapajós e Xingu, na Amazônia, em uma época em que a região ainda não era cartografada. Ela também foi a primeira mulher a dirigir uma instituição científica no Brasil, o Museu Paraense Emílio Goeldi. Seu trabalho mais importante foi o “Catálogo de Aves Amazônicas”, de 1914, onde constam 1.117 espécies, uma obra que serviu de referência para pesquisadores por muitos anos. 

“Sabe aquele tipo de personagem incrível que você acha que só existem em filmes de aventuras e que deve ter existido na vida real? Emília é essa mulher! Eu não tive muitas referências de mulheres fortes enquanto era uma menina, em compensação, quando fiquei adulta, fui conhecendo histórias de mulheres que fizeram história com sua rebeldia criativa e espírito guerreiro que não aceitavam simplesmente o que lhes era imposto. Emilia foi uma dessas mulheres. Olhar pra sua história me dá coragem de enfrentar os desafios que aparecem no dia-a-dia, principalmente aqueles que sabemos que existem pelo simples fato de não nos respeitarem como mulheres. Mulheres como Emilia abriram caminho para que chegássemos onde estamos hoje e continuássemos lutando pelas meninas e mulheres que vieram e virão depois”  – Daniella França (Parque das Aves).

8. Érica Cristina Pacífico de Assis

Érica Pacífico. Foto: Instituto Arara Azul.

A Dra. Érica Pacífico trabalha há mais de 10 anos pela conservação de uma das espécies de aves mais ameaçadas do Brasil, exclusiva de uma pequena área da Caatinga baiana: a arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari). Na década de 1980, aproximadamente 70 animais eram conhecidos na região. Hoje, depois dos esforços de Érica e outros pesquisadores, são cerca de 1300 aves.

“Conheci Érica quando ela veio fazer estágio comigo em novembro de 2006, no Projeto Arara-Azul, aqui no Pantanal. Posteriormente  acompanhei seu início no projeto da arara-azul-de-lear, na Bahia, com os primeiros estudos sobre sua reprodução. Érica começou a acompanhar o número de ovos e filhotes, subindo nos paredões para investigar as cavidades, que era algo que até então ninguém fazia. E esse foi o objeto de mestrado dela, e depois de doutorado, que ela concluiu na Bahia, onde hoje ela coordena o programa de conservação da espécie. Ver o crescimento dela, de estudante a coordenadora de um programa de conservação, me enche de orgulho. Eu tenho a Érica como uma grande parceira. A gente tem feito algumas publicações juntas mas, sobretudo, trocamos informações. Estamos sempre em contato, uma pedindo conselho pra outra. É um prazer imenso ver o crescimento da Érica e a pessoa determinada que ela é no trabalho de conservação.” – Neiva Guedes (Instituto Arara Azul)

9. Flávia de Campos Martins

Flávia de Campos Martins. Foto: arquivo pessoal.

A Profa. Dra. Flávia de Campos Martins é bióloga e professora na Universidade de Pernambuco (UPE). Realiza trabalhos há mais de 20 anos com aves, atualmente na Caatinga, comunidades, com aves aquáticas bioindicadoras e dimensões humanas nas relações com aves.

“Flávia é a minha inspiração! Sua dedicação, compromisso, atenção, empatia e profissionalismo são algumas das suas muitas qualidades. É um grande privilégio tê-la como minha orientadora e estarmos trabalhando juntas. Agradeço pela oportunidade de trabalhar com uma mulher tão inspiradora e apaixonada por aves.” – Tailane Amorim Luz (UPE)

10. Gláucia Helena Fernandes Seixas

Gláucia Seixas. Foto: Dione Sales

A Dra. Gláucia Seixas dedicou sua vida pela conservação do papagaio-verdadeiro, tendo criado o projeto há quase 25 anos. Hoje ela é funcionária do Parque das Aves, mas continua seu trabalho em campo, no Mato Grosso do Sul, acompanhando os papagaios-verdadeiros em seu habitat natural, protegendo-os e chamando a atenção das pessoas para a importância de mantê-los em seu local de origem ao invés de tê-los como animais de estimação.

“Gláucia Seixas é uma mulher incrível! Sua dedicação e perseverança no combate às ameaças ao papagaio-verdadeiro é admirável. Eu tive o privilégio de participar de duas expedições, lideradas por ela, para monitorar os papagaios, uma no Pantanal e outra no Parque Estadual de Ivinhema e entorno. As duas viagens foram inesquecíveis, conheci lugares lindos e vivenciei todo o seu esforço para combater o roubo dos filhotes. Aprendo muito com a Gláucia, uma amiga a qual eu tenho a certeza que sempre que precisar estará ao meu lado!” – Elenize (Tise) Sipinski (SPVS)

“Eu a conheço a pouco tempo…uns 4 anos! Foi em 2019 que a gente começou a conversar mais e como deu certo a parceria com as crianças do projeto, agora estamos sempre em contato. O que posso dizer é que Glaucia é uma inspiração pra mim! Além de ser querida, sempre muito disponível e animada com nossas atividades! É uma inspiração porque é um exemplo de dedicação e amor ao que faz (tenho certeza de que se não tivesse convicção e amor, ela não teria persistido no seu propósito). Também é uma inspiração pra mim por ter tanto conhecimento e experiência. Sempre que converso com ela pra ajustar alguma atividade do projeto, ela tem sempre muitas ideias e isso me deixa animadíssima! Gosto de trabalhar com ela justamente porque tudo floresce!” – Marichel Canazza (Prefeitura Municipal de Jateí)

11. Luciana Pinheiro Ferreira

Luciana Pinheiro Ferreira. Foto: Instituto Arara Azul.

Como pesquisadora associada do Instituto Arara-azul, A bióloga Luciana Pinheiro Ferreira realiza pesquisa e manejo na Reserva Particular do Patrimônio Natural SESC Pantanal, em Barão de Melgaço, Mato Grosso, sobre a arara-azul (Anodorhynchus hyacinthinus), arara-vermelha (Ara chloropterus) e a arara-canindé (Ara ararauna), assim como outras espécies de aves da região.

“Eu conheci Luciana Ferreira em um congresso de Ornitologia realizado no Espírito Santo. Na época, ela trabalhava com o Paulo Antas no SESC Pantanal, e eu na Fazenda São Francisco de Perigara, no Pantanal de Mato Grosso do Sul. Lá nós nos reencontramos, mas eu tive a oportunidade de conhecê-la melhor quando ela veio fazer o mestrado comigo, com relação às araras-vermelhas no Pantanal, e depois ela se tornou pesquisadora associada, como é hoje, no Instituto Arara Azul. Então, é um prazer imenso ter Luciana na nossa equipe e tê-la como pesquisadora associada no Instituto Arara Azul. Especialmente porque dentre as biólogas e biólogos que trabalham conosco, ela é uma das melhores observadoras de campo. Ela tem um tino para escutar, ver, enxergar, entender o ambiente, que mesmo quando eu não estou em campo consegue me relatar o que ela está vendo, é como se eu estivesse lá. Ela tem uma grande capacidade de observação, é uma pessoa muito inteligente, uma das melhores biólogas de campo que a gente tem por aqui.” – Neiva Guedes (Instituto Arara Azul)

12. Márcia Cristina Pascotto

Márcia Paschotto. Foto: arquivo pessoal.

A Profa. Dra. Márcia Pascotto é professora pesquisadora da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), desenvolve pesquisas em interações entre aves frugívoras e plantas, estrutura de comunidades e sistemática de aves, contribuindo de forma significativa para o conhecimento e a conservação das aves do Cerrado. Além disso, desenvolve trabalho relevante na formação de professores, e em educação ambiental e educação para conservação. Vale destacar seu trabalho na idealização e realização do Museu de História Natural do Araguaia. (Escrito por Flávia de Campos Martins)

“Dedicação, amor, persistência e compromisso são algumas palavras que definem a mulher que é a Márcia e seu trabalho. Márcia é uma excelente professora e orientadora, sempre disposta a auxiliar seus alunos dentro e fora da universidade, mesmo diante de uma pandemia que tornou as salas de aulas virtuais. Quando falo em Ornitologia na UFMT Araguaia, a primeira pessoa que penso é Márcia Pascotto, que dentro do nosso campus é referência, principalmente com ecologia e conservação de aves. Márcia é uma mulher inspiradora, uma mulher que foi e é incentivo na minha formação como professora. Sou grata por ser sua aluna e orientanda.” – Sthephany Gonsalves (UFMT)

13. Maria Antonietta Castro Pivatto

Tietta Pivatto. Foto: arquivo pessoal.

A Tietta Pivatto é bióloga e atua no turismo de observação de vida selvagem há mais de 20 anos. Também é proprietária da Loja dos Passarinhos, especializada em produtos para observadores de aves. Sua carreira é dedicada à promoção do turismo de observação de aves, formando guias e condutores, bem como os empreendimentos para receber esse tipo de atividade. 

“Inspiração, acolhimento e empoderamento são os sentimentos que a Tietta desperta por onde passa. Ela é uma verdadeira embaixadora da observação de aves no Brasil e preza muito para que a atividade seja conduzida da forma mais responsável possível. Suas viagens pelos quatro cantos do país, formam pessoas e estruturam destinos para observação de aves, tornando o turismo desse setor cada vez mais profissional. Dedica sua vida para inspirar pessoas a prestar atenção nas aves que estão a sua volta. Quem conhece a Tietta e vê o seu entusiasmo ao falar das aves com um lindo sorriso, logo se encanta e entra para esse mundo sem volta!” – Tati Pongiluppi (Brazil Birding Experts)

14. Maria Martha Argel-de-Oliveira

Maria Martha. Foto: arquivo pessoal.

A Dra. Maria Martha trabalha com o tema das aves urbanas na educação ambiental, acreditando que a proximidade com esses animais nas cidades, inseridos em seu cotidiano, pode encantar e despertar a empatia de crianças e adolescentes. Maria Martha tem vários artigos e livros publicados sobre o tema. É uma das fundadoras do Centro de Estudos Ornitológicos, associação paulista que tem como um de seus objetivos estimular a observação de aves na comunidade.

“Martha é um ser indefinível, na minha opinião, uma mulher livre e linda, que traz sua força para várias frentes de trabalho e luta. Além de bióloga e doutora em ecologia de Aves, é escritora, tendo publicado não apenas livros sobre o assunto de sua formação, mas também sobre literatura fantástica, crônicas e divulgação científica. Conheci Martha em um grupo de mulheres passarinheiras nas redes sociais. A percebi, desde então, muito ativa, sempre mostrando a que veio e lutando pelos seus direitos. Hoje ela traz toda sua bagagem profissional e de vida para a geração de ornitólogas e observadoras de aves de gerações posteriores como uma das integrantes da Rede Ornitomulheres. Muito obrigada, Martha, pelo seu pioneirismo em espaços onde as mulheres nem sempre foram bem recebidas e, com isso abrindo caminho para as que vieram depois!” – Daniella França (Parque das Aves)

15. Neiva Maria Robaldo Guedes

Neiva Guedes. Foto: arquivo pessoal.

A Profa. Dra. Neiva Guedes é mais conhecida por sua luta incansável para salvar a arara-azul. Ela é presidente do Instituto Arara Azul e coordenadora do Projeto Arara Azul e do Projeto Aves Urbanas – Araras na Cidade. Ela também é professora e pesquisadora do Programa de Pós-graduação em Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional da Uniderp, e orienta alunos de Iniciação Científica, mestrado e doutorado.

“Falar da Neiva é fácil e difícil para mim. Fácil porque a conheço desde antes do Projeto Arara Azul e difícil porque ela tem uma legião de admiradores que gostariam de estar no meu lugar, tornando a responsabilidade ainda maior. Por isso, vou me concentrar na minha história com Neiva, que começa antes dos psitacídeos entrarem de vez em nossas vidas! Menina simples e solidária, são as duas palavras que me vem à mente quando penso no meu primeiro encontro com Neiva. Com o tempo, e seu despertar para as araras-azuis, seu potencial de empatia e amor ao próximo foi ampliado e, diria, exponencialmente multiplicado milhões de vezes em prol dos pontos azuis que voam pelos céus! Focada e determinada a cuidar, de forma amorosa como uma mãe com seu coração de infinita bondade, das araras e tudo que as cercam, construiu um lindo e sólido caminho, repleto de bons resultados e sucesso. Por vezes, nossos caminhos se cruzaram e Neiva sempre me acolheu nos momentos difíceis, pessoais ou profissionais, e comemorou comigo os meus momentos felizes, com toda a sua generosidade. Assim é Neiva, para mim, um exemplo de mulher simples, solidária, amorosa, focada, determinada e generosa. Quem dera o mundo tivesse mais ‘Neivas!” – Gláucia Seixas (Projeto Papagaio-verdadeiro)

16. Nêmora Pauletti Prestes

Nêmora Prestes. Foto: arquivo pessoal.

A Profa. Dra. Nêmora Prestes é coordenadora do Projeto Charão na Associação dos Amigos do Meio Ambiente (AMA) e professora pesquisadora do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da Universidade de Passo Fundo (UPF). Também é curadora da coleção de aves do Museu Zoobotânico Augusto Ruschi (Muzar). É consultora da Fundação O Boticário de Proteção à Natureza e faz parte do Grupo Assessor para acompanhar a implementação e realizar monitoria do Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Papagaios da Mata Atlântica, PAN Papagaios (CEMAVE/ICMBio). A professora e pesquisadora trabalha há 30 anos, juntamente com o marido, na pesquisa, conservação e educação ambiental para salvar o papagaio-charão e o papagaio-de-peito-roxo.

“Nêmora Prestes tem um pioneirismo singular na conservação de papagaios ameaçados de extinção. Há algumas décadas essa mulher inspiradora motiva uma legião de mais mulheres a não medir esforços para a conservação de espécies ameaçadas! Visionária, fez, junto de sua família, descobertas singulares sobre o comportamento e hábitos do papagaio-charão! Esposa, mãe e profissional dedicada intensificam o grande incentivo que ela é na vida dos profissionais e amigos que tem o prazer de conviver com ela!! Gratidão, Nemora!” – Paloma Bosso, diretora técnica do Parque das Aves

17. Regina Helena Ferraz Macedo

Regina Macedo. Foto: arquivo pessoal.

A Profa. Dra. Regina Macedo orienta alunos de pós-graduação no Programa de Pós-Graduação em Ecologia da Universidade de Brasília, além de trabalhar como pesquisadora. Em 2020 recebeu o William Brewster Memorial Award, um prestigioso prêmio da área da ornitologia que reconhece autores de trabalhos, e em 2021 recebeu a medalha Alexander F. Skutch, da Association of Field Ornithologists, que reconhece o trabalho de pesquisa sobre aves neotropicais.

18. Simone Mamede

Simone Mamede. Foto: arquivo pessoal.

A Profa. Dra. Simone Mamede atua como professora, pesquisadora e empresária de turismo e biodiversidade nos diversos biomas da América do Sul. Sua empresa, o Instituto Mamede de Pesquisa Ambiental e Ecoturismo, localizada no Mato Grosso do Sul, foca em questões socioambientais e sustentabilidade local, com trabalhos relacionados à conservação ambiental e à melhor qualidade de vida das comunidades, usando a observação de aves e a educação ambiental para encantar as pessoas.

19. Sônia Aline Roda

Sônia Roda. Foto: arquivo pessoal.

A Dra. Sônia Roda é bióloga, gestora ambiental e ornitóloga. Ela tem vasta experiência na área de ecologia de aves, e tem vários artigos publicados sobre a avifauna da Mata Atlântica de Pernambuco.

20. Tânia Margarete Sanaiotti

Tânia Sanaiotti. Foto: João Marcos Rosa.

A Dra. Tânia Sanaiotti é pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e coordenadora do Projeto Harpia. Trabalha há mais de 20 anos na conservação do gavião-real (Harpia harpyja), que hoje monitora ninhos da ave na Amazônia, Pantanal e Mata Atlântica. Além desse trabalho, o projeto coleta informações sobre a biologia da ave, e foca em educação ambiental, sensibilizando as comunidades que convivem com a harpia.

21. Vanessa Kanaan

Vanessa Kanaan. Foto: arquivo pessoal.

A Dra. Vanessa Kanaan é a diretora do Instituto Espaço Silvestre e membro da Comissão de Especialistas em Reintrodução da IUCN-SSC. Além disso, ela é a coordenadora geral do Centro de Triagem de Animais Silvestres de Santa Catarina, e idealizadora e coordenadora do projeto de reintrodução do papagaio-de-peito-roxo.

“Conheci Vanessa Kanaan através do Espaço Silvestre e desde o dia 1 fiquei admirada pela sua capacidade de agregar, motivar e acolher conservacionistas. Van é uma eterna apaixonada pela liberdade. Foi essa paixão que a motivou a trabalhar de maneira incessante pelos papagaios-do-peito-roxo e penso que é tambem esta paixão que a motiva todos os dias, enquanto luta pela biodiversidade brasileira. Somado a este espírito livre está uma disciplina e compromisso difíceis de encontrar. Essa mistura rara tem espalhado muitos frutos por aí. Sorte de quem tem Van enquanto parceira.” – Dra. Luciana Leite (Parque das Aves)

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