5 ações para cuidar da Mata Atlântica

Conhece aquela frase “para cada ação há uma reação”? Ela define muito bem a atual situação da Mata Atlântica e de outros biomas brasileiros. A quantidade de itens que compramos e consumimos, a quantia de coisas que mandamos para os aterros sanitários, a nossa escolha de transporte, as viagens que fazemos, o que comemos, e muitas outras ações causam impactos positivos ou negativos na nossa vida e no bioma em que moramos. Se você quer ajudar na conservação da Mata Atlântica nesse ano, listamos 5 dicas, que vão auxiliar nas suas escolhas.

Metas que ajudam na conservação da Mata Atlântica. Imagem: Lime Factory

1 – Dê preferência a meios de transporte menos poluentes

Cada meio de transporte gera uma quantidade diferente de gás carbônico (CO2), que em excesso se torna um grande poluente na atmosfera. Isso acontece por que quando abastecemos os veículos (terrestres, marítimos ou aéreos) com gasolina, diesel ou álcool, muitos gases do efeito estufa (GEE) são gerados e enviados para a atmosfera.

Quando escolhemos abastecer nossos veículos com gasolina, diesel ou álcool, muitos gases do efeito estufa (GEE) são gerados e enviados para a atmosfera. Foto: Alfyr

No Brasil, os meios de transporte representam a principal fonte de emissões de gás carbônico, que crescem cada vez mais em nosso país,  devido ao aumento de carros nas ruas e rodovias. Por isso, achar maneiras de minimizar nossos impactos de deslocamento diário é muito importante. Aqui vão algumas dicas para ajudar:

  •  Na hora de escolher um carro, prefira modelos eficientes, que fazem mais quilômetros por litro de combustível, e que possam ser abastecidos com álcool.
  • Dê carona e vá de carona! Em comparação com outros meios de transporte (como carros individuais e ônibus), gera-se 33% menos gás carbônico na atmosfera utilizando caronas. Para se ter uma ideia do que essa redução representa, de acordo com uma pesquisa francesa, em torno de 1,6 milhão de tonelada de CO2 deixou de ser lançada na atmosfera em um ano por conta das viagens compartilhadas. Para absorver esse volume de CO2, seria necessária uma floresta do tamanho de 730 mil campos de futebol! Além disso, 22% dos motoristas reduzem a velocidade ao dar carona, o que ajuda a prevenir acidentes e evita a emissão de mais CO2 por conta da aceleração.
  • Pensando se é possível gerar zero emissões? A resposta é sim! Saia de casa antes e se desloque a pé ou de bicicleta. Você ainda aproveita para fazer exercícios
  • Descubra quanto CO2 é gerado durante o seu deslocamento. Para calcular a quantidade de Gases Efeito Estufa (GEE), utilize essa calculadora de CO2. Você pode inclusive compensar esses GEE plantando árvores ou usando o Ecosia.

2 – Descubra a sua pegada ecológica 

É muito importante saber como nossas ações estão impactando o meio ambiente. Por isso, foi criada uma ferramenta chamada “pegada ecológica” para medir o quanto uma pessoa ou instituição está impactando o ambiente. A pegada ecológica funciona assim: tudo que você faz no seu dia a dia é contabilizado na sua pegada – seus hábitos alimentares, os meios de transporte que usa, as roupas que escolhe adquirir, os passeios que está fazendo, o que decide comprar para sua casa, as viagens que faz, etc.

Passeios, compras, hábitos alimentares e coisas do dia a dia são contabilizados na sua pegada. Foto: Shutterstock

Então, é calculado um resultado, que pode ser dado de diversas formas, em pontos ou até mesmo em quantos planetas seriam necessários se todas as pessoas do mundo tivessem o mesmo estilo de vida que você, levando em consideração a capacidade de regeneração dos recursos ambientais. 

Com essas informações, é possível modificar nossas ações diárias para torná-las mais sustentáveis e engajadas com o meio ambiente! Para testar a sua pegada ecológica, clique aqui.

A pegada ecológica é uma ferramenta utilizada para medir o quanto uma pessoa ou instituição está impactando o ambiente. Com esse diagnóstico, é possível descobrir como podemos ajudar a cuidar da natureza. Foto: WWF.

3 – Visite uma área de conservação da natureza 

As Unidades de Conservação (UCs) são áreas protegidas que possuem características que permitem a sobrevivência de diferentes espécies de seres vivos, especialmente de flora e fauna. Sem essas áreas protegidas, terrestres e aquáticas, muitas espécies acabam não tendo condições para continuar existindo. Visitar essas áreas pode ser uma atividade incrível de lazer e proporcionar melhorias na saúde das pessoas, além de valorizar os serviços proporcionados por esses locais, como regulação do clima, produção de água, polinização, geração de oxigênio e de energia.

Além disso, muitos produtos contém matérias-primas extraídas das unidades de conservação: remédios, corantes, essências, cosméticos, madeira, artesanatos, fibras, borracha, óleos e alimentos (como castanhas, sementes, mel, chás, açaí, peixe). As UCs também são um laboratório a céu aberto para pesquisas em diversas áreas!

 

Parque Nacional do Iguaçu (PNI), localizado em Foz do Iguaçu. Vizinho ao Parque das Aves, o PNI é a casa das Cataratas do Iguaçu e uma das unidades de conservação mais famosas do país. Foto: Flickr (MTur/Zig Koch)

Quando você visita uma unidade de conservação, está contribuindo com o cuidado deste local e com outras unidades também, já que a arrecadação é distribuída entre elas, além de poder conhecer um pouco mais sobre o trabalho realizado ali dentro e as espécies que habitam o local. Divulgue e compartilhe as belezas das UCs mais próximas de você!

 

4 – Comer mais vegetais e menos alimentos de origem animal

A produção de alimentos é responsável por 8% a 10% de todas as emissões de gases do efeito estufa geradas pelo ser humano. Portanto, a nossa dieta tem um impacto nas mudanças climáticas do planeta. De acordo com um relatório especial sobre mudanças climáticas do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), criado por 107 especialistas de 52 países, uma dieta baseada em vegetais pode ajudar a conservar o planeta, especialmente por que a prática da pecuária necessita de muita terra e muita água.  Porém, o consumo de carne por pessoa nunca foi tão alto na história da humanidade. É por isso que, reduzindo o consumo de carnes na nossa dieta, podemos evitar o esgotamento da água doce e aumento do desmatamento para obter terras, o que levaria à desertificação, degradação do solo, ondas de calor, secas, incêndios florestais e mudanças nos padrões dos rios no futuro.

A produção de alimentos é responsável por 8% a 10% de todas as emissões de gases do efeito estufa geradas pelo ser humano, ou seja, a nossa dieta tem um impacto nas mudanças climáticas do planeta. Foto: Pão de Açúcar

Infelizmente, com a previsão de crescimento da população nos próximos 40 anos, se continuarmos consumindo carne no ritmo atual, esses impactos podem aumentar entre 50% e 90%. Por isso, mudanças nos nossos hábitos alimentares são importantes. Algo tão simples como optar por algumas refeições sem carnes durante a semana já pode trazer uma melhoria muito significativa para a natureza, além de ser oportunidade de melhorar a saúde e economizar dinheiro (já que carnes são alimentos caros). Para fazer essa substituição, proteínas vegetais podem ser encontradas em lentilhas, feijões, ervilhas, nozes, tofu e sementes.

5 – Comece a separar os seus resíduos domésticos

Isso evita a retirada de mais matérias-primas (areia, árvores, alumínio, petróleo) da natureza, permitindo que as que já foram extraídas sejam reutilizadas e aproveitadas ao máximo, preservando os ecossistemas locais.

Como posso fazer isso na prática?

1 – Informe-se sobre como funciona a coleta seletiva na sua região: cada cidade tem uma situação diferente, com dias, horários e materiais específicos a serem recolhidos. Se a sua cidade não tem coleta seletiva, tente localizar um ponto de entrega de recicláveis perto de você, ou entrar em contato com algum catador de materiais recicláveis (o aplicativo Cataki  – ajuda você a se conectar com esses trabalhadores)  .

Cada cidade tem uma situação diferente, com dias, horários e materiais específicos a serem recolhidos. Verifique como funciona a coleta seletiva na sua cidade. Imagem: JE Acontece
  • Separe dois recipientes (lixeira, balde, saco) para descartar os seus resíduos. Um recipiente deve ser usado para os resíduos recicláveis (que serão encaminhados para os centros e cooperativas de reciclagem, e se tornam novos produtos), e o outro recipiente é para os resíduos úmidos (que serão encaminhados para o aterro sanitário).
  • No recipiente de recicláveis (seco), estão incluídos papéis, plásticos, metais e vidros. Sempre lave os resíduos recicláveis, removendo restos de comida ou bebida, pois isso, impede que fique um cheiro desagradável e evita que insetos e outros animais se aproximem do saco de recicláveis. Dobre as caixas de papelão para economizar espaço. Envolva os vidros embalados em jornal ou papelão, especialmente se estiverem quebrados. Os papéis podem ser dobrados, mas não devem ser amassados. Se o papel ou papelão estiver muito sujo ou engordurado, descarte-o no lixo orgânico.
Separe o seu o lixo em dois recipientes um seco e um úmido. Foto: Dn Life
  • Já no recipiente de úmido, podem ser descartados os resíduos que não são nem compostáveis nem recicláveis (papel higiênico usado, materiais de higiene pessoal, absorventes, fraldas descartáveis, plásticos e papéis engordurados, clips, bitucas de cigarro, chiclete, etc).

2 – É importante lembrar que, como os resíduos orgânicos compostáveis representam em torno da metade do lixo produzido pelos brasileiros todos os dias, uma alternativa muito bacana para desviá-los do aterro sanitário é ter uma pequena composteira doméstica em sua casa (que pode ser com ou sem minhocas, de acordo com as suas necessidades). Veja como fazer uma composteira caseira super simples e de graça neste tutorial.

Para resíduos especiais, que são contaminantes, é importante buscar um ponto de descarte adequado. É o caso do lixo eletrônico  (celulares, televisores, computadores, tablets, baterias e pilhas), remédios e cosméticos vencidos, óleo de cozinha e lâmpadas de LED.

Separar os resíduos recicláveis e encaminhá-los para a reciclagem é uma forma de ajudar a cuidar da Mata Atlântica e das espécies que nela vivem. Foto: Recicla Sampa.

Ainda restam dúvidas? Acesse o site Reciclagem Sem Escândalo para saber mais.

As ações que estão no texto são apenas algumas das ideais para incentivá-lo no cuidado da Mata Atlântica, mas existem inúmeras outras formas de ajudar esse bioma! Que tal tentar encontrar as que mais se encaixam na sua rotina? Quais são as ações que você já põe em prática para ajudar no cuidado da Mata Atlântica?

Foto de capa retirada do site Resorts Online

 

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