7 mutações genéticas que mudam a cor das aves

Durante a vida, a cor das aves pode variar por diversas razões, como a idade, a subespécie e a região onde vivem. Além disso, em algumas espécies, o macho e a fêmea possuem colorações diferentes. Porém, às vezes as aves já nascem com colorações muito inesperadas! Isso acontece principalmente quando há mutações genéticas, que podem ser causadas por disfunções hormonais, alimentação inadequada ou falhas na expressão dos genes responsáveis pela produção de pigmentos, substâncias que dão as cores características dos animais.

Quando as mutações atingem os genes que “fabricam” algum pigmento, ele pode deixar de ser produzido, ou passar a ser produzido em maior ou menor quantidade, fazendo com que o animal mutante apresente cores inusitadas. Um dos pigmentos mais conhecidos é a melanina, que pode se manifestar na forma de eumelanina (pigmento negro) ou de feomelanina (pigmento castanho), mas também existem os carotenóides (que expressam cores como amarelo, vermelho e laranja, entre outras). Também existe a psitacina, que é um pigmento específico dos psitacídeos (araras, papagaios e periquitos), responsável pelas mesmas cores que os carotenóides.

Rolinha-roxa pousada em uma superfície de concreto
Rolinha-roxa (Columbina talpacoti). Foto: Aisse Gaertner, retirada do WikiAves

Conheça abaixo alguns tipos de mutações genéticas que podem alterar as cores das aves:

1 – Albinismo 

Características: Perda total de todos os pigmentos, tanto da melanina quanto dos carotenóides.

Efeitos: O indivíduo albino possui coloração branca, bico e patas mais claras. Já os olhos, por não possuírem coloração, apresentam a cor vermelha dos vasos sanguíneos. Um indivíduo albino possui pouca resistência ao sol e, às vezes, fotofobia.

Veja a diferença de um urubu de cabeça preta, de coloração normal e um albino:

Foto de perfil de um urubu-de-cabeça-preta
Urubu-de-cabeça-preta (Coragyps atratus) de coloração normal. Foto: Leonardo Casadei, retirada do WikiAves
Foto de perfil de um urubu-de-cabeça-preta
Essa ave também é um urubu-de-cabeça-preta, porém albino. É possível ver que a pele e as penas são mais claras, características da pele muito clara, com o sangue aparecendo embaixo. Foto: Marco Marcos, retirada do WikiAves

2 – Leucismo

Características: Perda completa da melanina (negra e castanha) nas estruturas de cobertura da pele (penas, pelos ou escamas). Isso não acontece nos olhos, mucosas e pele.

Efeitos: Pode deixar o corpo branco (ou partes dele). Os indivíduos leucísticos que são completamente brancos às vezes são confundidos com indivíduos albinos, porém, ao contrário destes, não possuem olhos vermelhos e são mais sensíveis ao sol que os indivíduos normais.

Animais com manchas irregulares, como o quero-quero (Vanellus chilensis) da foto abaixo, são chamados de “arlequins”.

Dois quero-quero andando em um gramado
Quero-quero (Vanellus chilensis) com leucismo. Foto: Marcelo Krause, retirada do WikiAves

3 – Melanismo 

Características: Aumento da produção de melanina.

Efeitos: O indivíduo melânico possui uma coloração mais escura que o normal.

Para algumas espécies de aves de rapina como gaviões, águias e falcões, existem indivíduos com uma coloração muito mais escura que o normal, chamados de morfo escuro ou fase escura. Porém, diferente da maioria dos indivíduos mutantes, que são raros, essa coloração especial das aves de rapina é razoavelmente comum. Mais de dez espécies de rapinantes já foram registrados no Brasil com esse tipo de coloração especial.

Príncipe empoleirado em um galho fino
Príncipe (Pyrocephalus rubinus) melânico. Foto: Cassiano Zaparoli (ZAPA), retirada do WikiAves
Príncipe empoleirado em um galho fino
Príncipe com coloração normal. Foto: Bertrando Campos, retirada do WikiAves

4 – Cianismo

Características: Perda dos pigmentos carotenóides (amarelo, laranja e vermelho). Nos psitacídeos, o pigmento afetado é a psitacina (amarelo, laranja e vermelho).

Efeitos: Como se perdem os pigmentos responsáveis por estas cores, o indivíduo normalmente passa a ser azul, daí o nome cianismo (ciano = azul). Como a cor verde é uma mistura de azul com amarelo, no caso dos papagaios e periquitos mutantes, a única cor apresentada é o azul.

Tiriba-de-testa-vermelha empoleirada em um galho de uma árvore
Tiriba-de-testa-vermelha,(Pyrrhura frontalis) que normalmente é verde, apresentando a coloração azul por conta do cianismo. Foto: Jackson Luiz Cunha, retirada do WikiAves

5 – Flavismo

Características: Perda parcial da melanina, ou seja, ainda pode ser ser observada um pouco da cor original da ave.

Efeitos: Como perdeu uma parte da melanina negra e castanha, a ave flavística (também chamada de “canela”) tem cores diluídas. Veja o exemplo de um sabiá, laranjeira (Turdus rufiventris) de coloração normal e  um de coloração flavística:

Sabiá-laranjeira pousado em uma superfície de madeira
Sabiá-laranjeira (Turdus rufiventris) com coloração normal. Foto: Leonardo Casadei, retirada do WikiAves
Sabiá-laranjeira pousado no chão
Sabiá-laranjeira com coloração flavística. Foto: Wagner Coppede, retirada do WikiAves

7 – Luteinismo

Características: Ausência total da melanina.

Efeitos: Como as aves com luteinismo não possuem melanina, mas ainda apresentam pigmentos carotenóides ou psitacina, geralmente são amarelas e possuem olhos vermelhos.”

Periquito-maracanã próximo a um telhado
Periquito-maracanã (Psittacara leucophthalmus) com luteinismo. O animal é verde, mas por conta da mutação, torna-se amarelo. Foto: Carolina Farhat, retirada do WikiAves

No Parque das Aves, em Foz do Iguaçu, localizado ao lado das Cataratas do Iguaçu, os visitantes podem conhecer algumas dessas aves em sua coloração normal.

E você? Já observou algum animal com mutações genéticas? Que tal compartilhar esse post com mais amigos para que eles possam ver essas aves tão diferentes?

Foto da capa: Luiz Bravo, retirada do WikiAves