Trabalhando para salvar espécies – 1 mês de soltura de papagaios-de-peito-roxo

O Parque das Aves trabalha dentro do princípio de conservação integrada, que prevê a união de esforços de vários atores para a elaboração e implementação de estratégias efetivas de conservação de espécies. Nessa linha de trabalho, procura-se sempre que possível estabelecer parcerias com projetos de campo que trabalhem com a conservação de espécies ameaçadas. Dessa forma, a manutenção de animais sob cuidados humanos pode ajudar diretamente a melhorar o status de conservação de espécies.

Isso é feito de diversas maneiras, seja através da doação de recursos para projetos, atuação direta em campo, reprodução para a conservação, conscientização e divulgação. Afinal, somos uma imensa sala de aula em meio à Mata Atlântica que recebe cerca de 800 mil “alunos”  por ano. Pense num potencial de encantamento e conscientização!

Um exemplo disso é a parceria do Parque das Aves com o projeto desenvolvido pelo Instituto Espaço Silvestre para a reintrodução do papagaio-de-peito-roxo (Amazona vinacea), espécie da Mata Atlântica ameaçada de extinção. Iniciado em 2010, o programa reabilita e solta animais no Parque Nacional das Araucárias, uma unidade de conservação federal. Lá as aves passam por um processo de reabilitação, treinamentos comportamentais, exames, tudo para que estejam preparadas para a vida na natureza.

O Parque das Aves enviou para este programa três papagaios-de-peito-roxo para a soltura. Um deles chegou ao Parque oriundo de apreensão, como acontece com cerca de 50% de todos os animais que já estiveram “sob nossas asas”.

Mas dois deles são nossas “crias”. Nasceram no Parque e foram enviados para soltura já adultos. Eles foram selecionados por nós para serem enviados a este programa pois apresentam um perfil físico e psicológico que acreditamos que aumenta suas chances de sobrevivência na natureza. Eles são aves “ariscas”, não chegam muito perto de pessoas. Além disso, moravam em um viveiro imenso no Parque, com outros papagaios e araras, o que possibilitava que eles voassem bastante e portanto tivessem a musculatura de voo bem desenvolvida, o que é essencial para sobreviver na natureza.

Isso é reprodução para a conservação. Isso é parte de nossa missão, agir para salvar espécies e seus habitats. Os papagaios-de-peito-roxo que permanecem no Parque, sem condição de soltura, são embaixadores de sua espécie: eles nos ajudam a explicar para nosso visitantes que esta espécie corre perigo. Nos ajudam a fazer olhos brilharem, produzirem suspiros e possivelmente, transformar visitantes em aliados ativos na luta constante que se trava contra a extinção de tantas espécies.

Estamos felizes que nossos “bebês” agora voem livres na natureza, e esperamos que em breve estejam produzindo seus próprios filhotinhos na natureza. E seguimos ajudando outras espécies que precisam. Com olhos brilhando e o coração cheio de esperança e vontade. Sempre.