CARDEAL-AMARELO | 8 cardeais-amarelos lutando pela conservação da espécie

Depois de diversos dias de espera, os 4 casais de cardeais-amarelos que foram trazidos ao Parque das Aves no dia 25/8 estão finalmente liberados da quarentena para serem transferidos para os viveiros construídos especialmente para eles, em um local tranquilo da nossa mata, fora de exibição. Eles foram transferidos hoje, 23/9, depois de passarem por uma bateria de exames e tratamentos para garantir que estejam saudáveis antes de iniciarem uma importante tarefa: reproduzir para salvar sua espécie, que está em risco de extinção.

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Ligia e Francisco, na quarentena.

Durante o processo de liberação da quarentena, as aves foram analisadas uma última vez antes de serem transportadas aos novos recintos.  Ligia Rigoleto, veterinária do Parque, com a ajuda de Francisco Oliveira, tratador sênior, coletou amostras de fezes para exames laboratoriais e pesou cada uma das aves. “A alimentação é balanceada e rigorosamente controlada, para que elas fiquem muito saudáveis”, comenta ela.

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Yara e Francisco levam Romeu e Julieta para seu viveiro de reprodução.

No total, foram construídos quatro viveiros de reprodução pensados para oferecer as melhores condições para os futuros casais. Neste primeiro momento, a fêmea fica solta dentro do recinto, enquanto o macho vai aguardar uns dias dentro da gaiola, até que os dois se acostumem um com o outro. Outro detalhe importante é que os quatro viveiros tiveram que ser construídos a uma certa distância, pois os machos não podem ter contato visual ou sonoro com os outros durante o processo de reprodução.

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Todo cuidado é pouco na hora de soltar a fêmea dentro do recinto. Por isso, cada viveiro tem um corredor de segurança.

Mas entre os quatro futuros casais, um já veio encaminhado. Romeu e Julieta, que já estão soltos dentro do viveiro e parecem ter gostado muito do novo espaço, são a maior esperança da equipe do Parque. “Este casal vai ter um final feliz, diferente da história original de Romeu e Julieta”, comenta Yara Barros, diretora técnica do Parque das Aves.

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Yara segura Julieta antes de soltá-la no viveiro.

Os cardeais-amarelos estão criticamente ameaçados de extinção, principalmente pela captura e pelo comércio ilegal, com cerca de apenas 100 indivíduos restantes na natureza. No Brasil, o cardeal-amarelo vive no Rio Grande do Sul e a única população conhecida até este ano está no Parque Estadual do Espinilho, na cidade de Barra do Quaraí. Em maio deste ano, pesquisadores avistaram o cardeal-amarelo em uma segunda localidade, na Serra do Sudeste, onde não era avistado há mais de 15 anos!

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Julieta.

Em 2011, o ICMBio elaborou o Plano de Ação Nacional (PAN) para a Conservação dos Passeriformes Ameaçados dos Campos Sulinos e Espinilho e identificou a necessidade imediata de criação de um programa de cativeiro para os cardeais-amarelos, para produzir  uma quantidade de indivíduos que possam ser utilizados em futuros projetos de reintrodução. O Parque das Aves foi então convidado pelo ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) para integrar o programa, comprometendo-se a seguir diversos protocolos para que a reprodução para a conservação da espécie seja um sucesso. “Como sempre, aceitamos esta grande responsabilidade com orgulho e muita vontade de ajudar a salvar esta ave linda e tão ameaçada”, comenta Yara, que foi pessoalmente ao Rio Grande do Sul buscar as aves.

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Francisco e Ligia, com outro futuro casal de cardeais-amarelos, em frente a um dos viveiros de reprodução.

Além dos cardeais-amarelos, o Parque das Aves participa de outros projetos oficiais de reprodução de espécies ameaçadas, como o mutum-de-alagoas e a arara-azul-de-lear.

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