Como os zoológicos podem ajudar na conservação de espécies na natureza?

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Essa semana se comemora o Dia Mundial da Vida Selvagem, um dia muito especial que nos faz refletir sobre a importância das espécies silvestres.

Nossas espécies de plantas e animais passam por uma verdadeira crise, ocasionada pelo desmatamento para a criação de áreas de cultivo e pecuária cada vez maiores, urbanização sem planejamento, crescimento industrial desenfreado, queimadas, tráfico e caça ilegal.

Neste cenário problemático, onde muitos animais, de pequenos insetos a grandes mamíferos, se encontram à beira da extinção, os zoológicos modernos podem ser vistos como uma Arca de Noé que tem o potencial de salvar espécies. Isso porque as populações de animais que existem em zoológicos podem funcionar como uma “poupança” de material genético, que permite a reprodução sob cuidados humanos para então reintroduzir esses animais nos seus ambientes naturais. Mais de 50 espécies de animais, borboletas, peixes, foram salvos da extinção com a ajuda de zoológicos, que é o que chamamos de conservação ex situ (fora do habitat natural).

Mutum-de-alagoas, espécie extinta da natureza que existia somente na Mata Atlântica do estado do Alagoas, presente no Parque das Aves.

O Parque das Aves, por exemplo, reproduz jacutingas para reintrodução na Mata Atlântica através do Projeto Jacutinga, projeto que está sob a gestão da organização não-governamental SAVE Brasil. O Parque das Aves também já obteve sucesso na reprodução de 20 espécies de aves ameaçadas de extinção, além do mutum-de-alagoas, ave que está extinta na natureza e hoje só existe sob cuidados humanos.

Jacutinga, espécie ameaçada de extinção encontrada somente na Mata Atlântica.

Portanto, visitar um bom zoológico pode ajudar a financiar conservação. Em 2008, por exemplo, zoos e aquários afiliados com a Associação Mundial de Zoológicos e Aquários (WAZA) gastaram cerca de 350 milhões de dólares em conservação, o que neste ano em particular foi mais do que ONGs e outras associações famosas de proteção à fauna, como a WWF International e a IUCN. O Parque das Aves é membro desta associação mundial.

Além do Parque das Aves, muitas outras instituições brasileiras também emprestam a sua estrutura física para abrigar animais ameaçados de extinção, oferecem apoio técnico, criam atividades de educação ambiental e divulgação de projetos de conservação e investem recursos financeiros na recuperação de espécies diretamente na natureza.

Guardiões do Chauá, exemplo de atividade de educação ambiental com a comunidade de Águas Formosas, em Minas Gerais.

Os zoológicos e aquários também são considerados espaços importantíssimos de educação. O alto número de visitantes em zoológicos todos os anos cria um ambiente com um grande potencial para atividades educativas de impacto, engajando pessoas para contribuir com a conservação das espécies.

Além disso, em locais como o Parque das Aves, onde mais da metade dos animais são resgatados de maus-tratos e apreensões do tráfico, é possível mostrar às pessoas exemplos diretos dos prejuízos que essas atividades causam à nossa fauna, que não podem mais retornar à natureza e precisam de espaços como estes para serem cuidados por humanos.

Valentina, papagaio-verdadeiro vítima do tráfico de animais silvestres e resgatada de maus-tratos, que vive no Parque das Aves por não poder retornar à natureza, já que não possui uma asa.

Muitas pessoas argumentam que zoológicos não são necessários, pois é possível observar os animais diretamente na natureza. Isso realmente pode ocorrer em algumas situações, mas geralmente ver animais em ambiente natural envolve deslocamentos e viagens e, embora existam muitas pessoas aventureiras que teriam condições de fazer isso, também há idosos, crianças, pessoas com necessidades especiais ou que simplesmente não possuem dinheiro ou tempo para viajar e conhecê-los diretamente na natureza. Neste contexto, os zoológicos se tornam um espaço onde, enquanto está tendo um momento de lazer, uma família inteira pode aprender sobre a biodiversidade e como podem contribuir para protegê-la, além de ajudar, por meio do ingresso, a financiar atividades e projetos que podem salvar espécies que correm sério risco de desaparecer para sempre.

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